segunda-feira 28 de setembro de 2009, por
Na assinatura da doação do arquivo de Aloysio Biondi à Unicamp, a abertura de um novo espaço de discussão e a possibilidade de inaugurar uma nova área de pesquisa foi destacada pelo professor Jefferson Cano, coordenador do Centro de Documentação Cultural Alexandre Eulálio (Cedae), onde a produção do jornalista ficará abrigada – e, em breve, disponível para consulta.
Ele explica que a estrutura do Cedae, ligado ao Instituto dos Estudos da Linguagem (IEL), passou por adaptações para receber o material, e cita as obras de Oswald de Andrade, Brito Broca e Alexandre Eulálio como produções com as quais a obra de Biondi possivelmente propiciará pontes.
Jefferson Cano é doutor em história pela Unicamp e leciona no Departamento de Teoria Literária. Os cruzamentos entre política e cultura e entre literatura e imprensa estão entre seus principais temas de pesquisa. Leia entrevista com o professor aqui.
O recebimento do arquivo de Aloysio Biondi demandou estrutura extra para o Cedae?
Sim, o seu recebimento exigiu que reformulássemos todo o espaço de nossa reserva técnica, para que fosse possível a instalação de um sistema de arquivamento deslizante para abrigar os documentos do acervo. Esse sistema precisou ser adquirido desde que entramos em acordo sobre a doação do material e para isso contamos com o apoio da reitoria.
Quais serão os próximos passos envolvendo o material doado? Que horizonte é previsto para essas ações?
O primeiro, para o qual já estamos nos mobilizando, é a transferência do acervo para o Cedae nos próximos dias, assim que for possível a contratação do transporte. Em seguida, chegando ao Cedae, terá início a higienização de cada documento individualmente. Essa etapa prévia é importante para prevenir a proliferação de microorganismos e insetos responsáveis pela deterioração dos documentos, e isso viabilizará a troca do acondicionamento do material para caixas e pastas adequados à sua preservação. Depois de cumpridas tais etapas os documentos serão guardados em ambiente climatizado, com umidade e temperatura controlados. Terá início então o trabalho de processamento arquivístico, que consiste na classificação e descrição de cada documento.
Pode-se prever quando, aproximadamente, esse acervo estará disponível para os pesquisadores em geral? A digitalização deve ser um passo posterior, certo?
Ao longo da etapa de processamento técnico, o material começa a ser pouco a pouco disponibilizado aos pesquisadores. Só após a completa organização do acervo, que pode ser um processo bastante longo, por ser muito meticuloso, a documentação, que é volumosa, será encaminhada à microfilmagem. A partir dos microfilmes é que será feita a digitalização.
É possível identificar, no atual acervo do Cedae, produções com as quais a de Biondi dialoga? Para nós, a obra de Monteiro Lobato é a primeira a se apresentar nesse sentido, pois ele sempre o apontou como uma dos principais autores a contribuir para sua formação quando jovem.
Além do caráter de novidade que o acervo de Aloysio Biondi traz para o Cedae, pois se trata de uma ampliação de sua abrangência temática, é possível pensar em uma relação com a produção de outros titulares de acervos que atuaram também na imprensa. O primeiro a ser citado talvez deva ser Oswald de Andrade, por sua militância de esquerda. Mas além dele poderíamos pensar na atuação de figuras como Brito Broca ou Alexandre Eulálio, que contribuíram muito para a divulgação da literatura por meio da imprensa.