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  Liberdade de opinião e incompreensão

Jornal Diário da Manhã , terça-feira 8 de novembro de 1994


O jornalista Jávier Godinho, articulista permanente do jornal, publicou em nossa edição de ontem artigo sob o título “Falta Alguém com Lúcia Vânia”. Respeitamos as opiniões de Jávier e de qualquer outro cidadão, e jamais procuraríamos questioná-las. Mas o artigo contém alguns erros de informação e que, em respeito ao leitor do Diário da Manhã, precisam ser esclarecidos.

Diz Jávier que “o DM apóia abertamente a candidatura peemedebista ao Palácio das Esmeraldas, a partir do farto e explícito editorial do seu editor-geral, publicado bem antes do primeiro turno e republicado, como matéria paga, na imprensa local. Batista Custódio não ficou em cima do muro”.

“É evidente - prossegue Jávier - que, nas posições-chave da Redação, foram incrustrados jornalistas com aquela mesma tendência político-partidária”.

Dou o meu testemunho de que as informações não procedem e desafio Jávier a contestar qualquer uma das afirmações que se seguem:

Liberdade de opinião - o Diário da Manhã não apenas tem publicado artigos a favor da candidata Lúcia Vânia, como tem tomado a iniciativa de convidar pessoas representativas da sociedade a fazê-lo. O articulista Jávier Godinho pode facilmente comprovar esses convites através de simples telefonemas. A liberdade de opinião, aliás, se comprova inclusive com os sucessivos artigos de Jávier pró-Lúcia, no Diário da Manhã - muitos dos quais com argumentos com os quais nós, pessoalmente, não concordávamos. Nunca, porém, foi mudada uma única vírgula de seus artigos ou de outros autores pró-Lúcia. E desafiamos Jávier a negá-lo.

Opinião pessoal - efetivamente, o jornalista Batista Custódio, editor-geral do Diário da Manhã, redigiu artigo, devidamente assinado, declarando seu voto em favor de Maguito Vilela. Tratou-se, no entanto, é preciso frisar, de uma declaração de apoio pessoal, e não do jornal. Uma declaração tão legítima quanto as reiteradas manifestações de apoio de Jávier Godinho à candidata Lúcia Vânia. Parece-nos no mínimo paradoxal que o articulista Jávier queira negar ao jornalista Batista Custódio o direito, que ele próprio tem exercitado, de apoiar um candidato.

Equilíbrio - o Diário da Manhã tem dedicado diariamente, desde o primeiro turno, de três a quatro páginas de noticiário sobre as eleições goianas. Com o empenho decidido do jornalista Batista Custódio, houve a preocupação de democratizar o uso desse espaço, abrindo-o não apenas aos candidatos a governador, mas mesmo a deputados estaduais e federais, bem como a senadores. Numa iniciativa única na imprensa brasileira, o Diário da Manhã criou a seção Palanque, publicada diariamente, em que todos os candidatos à Assembléia e Congresso tiveram o direito de expor seus programas e propostas, com texto padronizado de 20 a 25 linhas. Também numa iniciativa única na imprensa brasileira, o Diário da Manhã publicou diariamente um resumo dos programas de rádio e TV não apenas dos candidatos a governador, mas também de deputados e senadores. O jornalista Jávier Godinho há de convir que o jornal, com o decidido empenho do editor-geral Batista Custódio, teve a preocupação de abrir espaço, democraticamente, a todos os partidos e correntes. Sem privilégios. Essa orientação pode ser mensurada, isto é, ela dá uma medida concreta do grau de imparcialidade que o jornal procurou manter diante das eleições. Dizer, mesmo diante desses indicadores mensuráveis, que o jornal “apoiou abertamente” esta ou aquela candidatura, é resvalar para o terreno subjetivo, do mero palpite, do “achismo”. Sempre haverá adeptos da candidatura Lúcia Vânia que “acharão” que o Diário da Manhã “perdeu” para Maguito, como há partidários de Maguito que, em determinados momentos, “acharam” que o jornal estava dando destaque excessivo a, por exemplo, adesões recebidas por Lúcia Vânia. Essas “impressões”, porém, não contam. O que conta, repetimos, é o espaço dedicado a cada candidato, problema para o qual o jornal dedicou especial atenção.

Isenção - ao longo dos últimos meses, fomos testemunhas da firme orientação do jornalista Batista Custódio quanto à necessidade de manter a eqüidistância em relação aos candidatos a governador. A esse propósito, gostaríamos de citar um episódio ilustrativo, e sobre o qual o jornalista Jávier Godinho pode procurar confirmação junto aos comitês de Lúcia Vânia e de Maguito Vilela. No primeiro debate entre os candidatos, Maguito Vilela fez uma acusação contra o BBC, banco de propriedade do marido de Lúcia Vânia, e que teria retido recursos do Estado, na época do Governo Santillo. Posteriormente, seu comitê distribuiu documentos destinados a comprovar a denúncia. Tratando-se de denúncia pública, surgida no transcorrer de um debate, o Diário da Manhã poderia ter simplesmente transcrito esses documentos, deixando ao comitê de Lúcia Vânia a tarefa, posterior, de tentar contestá-los. No entanto, avaliamos os documentos e consideramos que eles necessitavam de complementação. Levamos o problema ao editor-geral, que concordou plenamente com nossas ressalvas, e reiterou que não deveríamos dar guarida a denúncias precipitadas, já que, no seu entender, o jornal deveria dar sua contribuição para que os debates, nestas eleições, deveriam ser mantidos em alto nível. Solicitamos o material complementar à equipe de Maguito Vilela e até que o recebêssemos, retardaríamos a publicação da denúncia por uns dez dias - para a irritação dos peemedebistas. Feita a complementação, o jornal poderia ter simplesmente publicado as denúncias. No entanto, ainda uma vez, por orientação do editor-geral, Batista Custódio, procuramos obter argumentos de defesa da candidata Lúcia Vânia, para publicarmos simultaneamente com a denúncia. Todo esse episódio, que dá a medida exata do grau de isenção do jornal, desejado pelo jornalista Batista Custódio, pode ser devidamente apurado pelo articulista Jávier Godinho junto às equipes de Maguito Vilela e Lúcia Vânia.

Equipe jornalística - na segunda parte de suas afirmações, o articulista Jávier Godinho diz que “nas posições-chave da Redação foram incrustrados jornalistas com aquela mesma tendência político-partidária”. Chefiando Redações há uns 35 anos, jamais perguntei a quem quer que fosse qual a sua preferência político-partidária: nem ao repórter, nem ao meu assistente mais direto, nem a articulistas - já que sou realmente partidário da democracia, que equivale a pluralismo de idéias e preferências. De qualquer forma, no caso do Diário da Manhã, tive total liberdade para nomear o chefe de Redação, Lauro Filho, um goiano que estava radicado em São Paulo, bem como a Ulisses Aesse, para o cargo de secretário de produção editorial, sem perguntar suas preferências partidárias e com base unicamente na competência demonstrada por eles. Os mesmos critérios, aliás, utilizados para manter o jornalista Jayro Rodrigues nas funções de editor-executivo do jornal. Quanto a nós, certamente o jornalista Jávier Godinho não encontrará o mais leve indício de que sejamos comprometidos com este ou aquele partido e, principalmente, com o PMDB - já que fomos o único jornalista de São Paulo a criticar, ao longo destes anos, as distorções do Governo Fleury (e que somente agora a imprensa paulista está focalizando, sabe-se lá por que motivos).

Não é justo que, com todo o empenho demonstrado pelo jornalista Batista Custódio para manter o equilíbrio do jornal, surjam afirmações gratuitas de comprometimento do Diário da Manhã com qualquer candidatos. É irônico em demasia.



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