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Jornal Diário da Manhã , sexta-feira 4 de novembro de 1983


A inflação recorde – a divulgação dos índices inflacionários de outubro pela FGV, certamente exigiria uma contra-ofensiva esclarecedora, por parte do governo. O impacto negativo causado pelo novo recorde, precisa ser neutralizado, ou o país presenciará verdadeira corrida para remarcação de preços, totalmente injustificável. As tabelas e análises publicadas semanalmente pelo DIÁRIO DA MANHÃ – baseadas em cotações do mercado atacadista mostram que, efetivamente, a escalada altista dos preços agrícolas foi contida, desde o começo do mês de outubro – sendo estranhável que as pesquisas da FGV digam o contrário. Em poucas palavras: a divulgação dos índices afirma que a inflação está em alta. A realidade mostra que ela está em baixa. Mas, com as notícias do recorde, a expectativa inflacionária ganhará vigor. E as conquistas já obtidas serão postas a perder.

Qual é a inflação? – a verdade é que o país está vivendo, hoje, uma taxa inflacionária em torno de 7% a 8% ao mês. Como assim? É só verificar os aumentos acusados pela própria FGV, para o mês de outubro: bens duráveis, 7,2%; utilidades domésticas, 7,5%; outros bens duráveis, 6,4%; bens de produção, 7,7%; máquinas e equipamentos, 6,9%; matérias-primas não alimentares, 7,3%. Todos esses itens, por exemplo, não chegaram a atingir 8% de alta em outubro, dentro do cálculo de Índices de Preços no Atacado. Esse índice, no entanto, chegou a nada menos de 15,6%. Por quê? Porque a Fundação "diz" que os produtos agrícolas subiram 26,5% no atacado, no mês passado. Também no cálculo do custo de vida, é possível verificar que o ritmo de alta de preços em outubro estava, no máximo, na faixa dos 8%: serviços públicos, mais 1,5%; habitação, mais 5,1%; saúde, mais 6,2%; serviços pessoais, 8,1%, e artigos de residência, 8,4%. Somente o vestuário atingiu um índice maior: 10% (devido à alta do algodão).

São Tomé – para quem não acredita em inflação em baixa: o índice de custo de vida em Porto Alegre, em outubro, caiu para 8,2%. Ele é calculado pela insuspeitíssima universidade local, que acusara alta de mais de 14% para o índice, em setembro.



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