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Jornal Diário da Manhã , terça-feira 11 de outubro de 1983


CONTRA A INFLAÇÃO – pelo menos a Secretaria Especial de Abastecimento e Preços está modificando seu comportamento – para melhor –, após a intensa especulação ocorrida nos últimos meses. Segundo declarações do seu titular, Milton Dallari, a um jornal econômico de São Paulo, os setores da indústria de produtos alimentícios e de limpeza não poderão mais aumentar automaticamente seus preços em 80% da correção monetária das ORTN, todos os meses. “Agora, esses aumentos somente poderão ser feitos para cobrir elevação de custos, comprovada pelas empresas perante a SEAP”. A decisão é ótima. Mas dá, ao mesmo tempo, uma idéia clara da política “antiinflacionária” do ministro Delfim Netto: até aqui, como se vê, aqueles setores industriais podiam aumentar seus preços em um nível equivalente a 80% da correção monetária, mesmo que seus custos tivessem subido muito menos – e essa orientação continua a vigorar para outros setores. Enquanto isso, o ministro Delfim Netto fala em “achatar” salários e cortar gastos das estatais, “para conter a inflação”, mesmo que o custo de vida dos trabalhadores e as necessidades de recursos das estatais tenham crescido violentamente – por causa, inclusive, da inflação “desnecessária” resultante da “bondade” para com as indústrias... Para as empresas, maiores lucros, com aumentos desnecessários e engorda da inflação. Para o assalariado, o 2.045 e quejandos.

PARA ONDE FOI O DINHEIRO? – porta-vozes do governo confirmam que os empréstimos dos bancos, ao setor privado, cresceram 135% até agosto último, um nível bem próximo da inflação dos primeiros oito meses do ano. Por isso, agora, seria preciso “apertar” o crédito, para não estourarem as metas do orçamento monetário – e provocar a reprovação do Fundo Monetário Internacional. Como há meses as empresas reclamam da falta de crédito, fica no ar a grande indagação: para onde está indo o dinheiro, no Brasil? Não é difícil responder. Basta ver o “open”, negociando mais de Cr$ 7 trilhões por dia (cifra impressionante quando se lembra que o orçamento da União, para o ano todo, foi estabelecido em Cr$ 10 trilhões, no começo de 1983). Ou as manobras especulativas com alimentos, sustentadas pelo crédito fácil, a seus autores. Ou as “exportações frias”, também beneficiadas com crédito de 674 e 743. E assim por diante.



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