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  O mapa da vergonha

Jornal Diário Popular , domingo 26 de setembro de 1999


O presidente da República anunciou que a Petrobras descobriu novo campo gigantesco de petróleo no fundo do mar, um dos mais fabulosos do mundo, na bacia de Santos. Jornais publicaram um mapa para mostrar onde estão essas jazidas ("minas") fabulosas. O que você vê no mapa? Uma espécie de "sanduíche": a "fatia de pão" do lado de baixo é o novo megacampo; a "fatia de pão" do lado de cima é outro campo fantástico, praticamente "grudado" no novo, embora a região em que ele está situado, mude de nome, para bacia de Campos. Conseguiu "enxergar as duas fatias"? Agora, você quer saber qual é o "recheio" que está entre elas? É simples: uma área de milhares de quilômetros quadrados, que foi "vendida" há dois meses a um grupo italiano, para ele "procurar" petróleo. O "sanduíche" mostra que, como em outros negócios do governo federal, multinacionais pagaram um preço de banana, receberam verdadeira doação, de riquezas fantásticas que não pertencem ao governo, nem à Petrobras, mas sim ao povão, à classe média, e aos empresários brasileiros. Vamos às provas:

A jogada — quando o governo fez os leilões de áreas petrolíferas, estudadas pela Petrobras e que antes pertenciam à empresa estatal (ou, portanto, a cada cidadão brasileiro), pediu um preço escandalosamente vergonhoso: R$ 50 mil a R$ 150 mil. A multinacional italiana ofereceu um preço 55.000 vezes maior, ou R$ 150 milhões, pelo "recheio", provocando manchetes em todos os jornais. Na época, ninguém conseguiu entender esse lance. Mas agora, quando fica claro que o "recheio do sanduíche" vale uma fábula, o preço 55.000 vezes maior serve para despistar, para dar a impressão de que no final das contas o preço foi vantajoso para o Brasil. É mentira.

O prejuízo — acontece que, na mesma região, há campos petrolíferos explorados pela Petrobras que possuem poços capazes de produzir 10.000 barris por dia. Cada poço. Agora, faça as contas: com o petróleo valendo US$ 20 o barril no mercado mundial, cada poço significa um faturamento de US$ 200 mil por dia; um campo semelhante, da Petrobras, tem 25 poços, que rendem portanto US$ 5 milhões (US$ 200 mil por poço multiplicado por 25 poços). Por dia. No final do mês, serão US$ 150 milhões e, no final de um ano, serão US$ 1,8 bilhão, ou arredondados, US$ 2,0 bilhões. Ou R$ 4 bilhões. Em um ano. E os campos podem ser explorados durante muitos e muitos anos.



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