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  Ah, você não sabia?

Jornal Diário Popular , dezembro de 1999


O dólar caiu, foguetório geral. Mas o que provocou euforia ao governo e na imprensa chapa-rosa, mesmo, foi a notícia de que uma grande imprensa internacional que faz uma espécie de SPC dos países, a Moody’s, melhorou a classificação do Brasil, passando-o, digamos assim, de “imenso” caloteiro para “grande” caloteiro. Vale a pena você ver o motivo dessa “Promoção”: a Moody’s – surprise – diz que houve “uma redução no risco de moratória no curto prazo”.

Leia e releia esse trechinho. Olha só que engraçado: isso quer dizer, então, que até agora o mercado financeiro internacional estava prevendo que o Brasil poderia dar o “calote”, decretar a moratória de uma hora para outra, certo? Exatamente como esta coluna e outros críticos vinham tentando dizer, certo?

Uai, presidente Fernando Henrique Cardoso, então a tal da “credibilidade externa” do Brasil era uma mentira, né? Uai, ministro Malan e mister Armínio Fraga, quer dizer que vocês estavam mentindo mais uma vez, quando diziam que a alta do dólar era mera especulação, né? Uai, imprensa e grandes comunistas chapa-rosa, quer dizer que vocês estavam mais uma vez ajudando a esconder a verdade, enganando a sociedade brasileira como fizeram nas eleições do ano passado, né?

É isso aí. Você e todos os brasileiros que lêem os jornais, vêem a TV, ouvem o rádio ficam pensando que está tudo bem, e a realidade é bem outra. Veja a própria “queda do dólar”, tão festejada. Ela é verdadeira ou nova armadilha para adiar a crise? Como ela aconteceu, afinal? Vamos voltar a Moody’s.

Ela diz que houve uma “redução no risco de moratória a curto prazo”, isto é, não diz que o risco desapareceu, e nem que a moratória ainda não possa acontecer, a médio prazo. Por que a cautela? Porque os problemas da economia brasileira, que assustam os banqueiros e investidores, continuam iguais, ou mais exatamente, continuam a crescer. Quais são eles?

O “rombo” do Tesouro, aqui dentro, provocando um crescimento explosivo da dívida interna, por causa dos juros altos fixados pelo Banco Central, por exigência do FMI e o “rombo” do Brasil, em suas operações com o resto do mundo, isto é, em dólares, que continua a atingir mais US$ 2 bilhões por mês. Por tudo isso, ainda em novembro os banqueiros estavam forçando o Brasil a pagar juros tão altos, tão altos, que superavam os cobrados até de El Salvador: 12,3% contra 8,35% na colocação de títulos do próprio governo brasileiro.

Então, a verdade pura e simples é esta: nada mudou. A situação do Brasil é crítica. A queda do real foi provocada por manobras do Banco Central, em conluio com o FMI e governos de países ricos, como a venda de títulos (“papagaios”) do governo com valor fixado em dólares, e que desde o ano passado estão custando fortunas cada vez maiores ao Tesouro. A “alta” do real é fabricada. Até quando vai durar?



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