[O Brasil de Aloysio Biondi Obra Vida Projeto
data
veiculo
tema
Palavra-chave
Voltar

  O Congresso e ‘‘eles’’

Jornal Diário Popular , domingo 12 de março de 2000


Negociatas e mais negociatas de bilhões foram e continuam a ser praticadas no Brasil pelos homens que chegaram ao poder e seus ‘‘amigos’’ das elites. Mais uma prova de que o povo brasileiro está sendo incrivelmente assaltado por ‘‘eles’’ apareceu agora, com a nomeação do senhor Francisco Gros para a presidência do BNDES, o banco dos grampos.

O senhor Gros é da turma dos homens e mulheres elegantes e refinados que dominam o Brasil. Já foi presidente do Banco Central e um dos donos de um banco, o BFC, que quebrou em dezembro de 1995, com um rombo de R$ 65 milhões não pagos a seus clientes e outros credores. Apesar disso, o presidente FHC indicou-o para o BNDES, reafirmando seu desprezo para com a opinião pública.

Agora, surgiu a revelação de que o BFC, o banco do senhor Gros, estava ‘‘quebrado’’ desde julho de 1995, com um rombo de milhões. Apesar disso, foi presenteado com um empréstimo de R$ 16 milhões do BNDES, ele mesmo, seis meses depois...

Imoral? Mas você ainda não sabe do resto... Qual o objetivo desse empréstimo? Aqui, uma pequena explicação, para você entender melhor as negociatas. Quando o governo FHC resolveu (sob as ordens dos países ricos) acelerar a entrega das empresas estatais a grupos privados, a tal privadoação, ele permitiu que os ‘‘compradores’’ pagassem com as chamadas ‘‘moedas podres’’. O que são elas? Títulos (ou ‘‘papagaios’’) que o governo emitiu para pagar grandes dívidas.

Um exemplo? Quando o governo desapropria fazendas para realizar a reforma agrária, os proprietários são pagos com esses títulos, que rendem, todos os anos, juros e algum tipo de correção monetária. Mas, como esses títulos só vão ser pagos pelo Tesouro depois de dez, vinte anos, são chamados de ‘‘dinheiro’’ ou ‘‘moeda’’ podre, porque, não pode ser gasto, não vira ‘‘dinheiro vivo’’ antes que se vença o seu prazo.

Quem recebeu esses títulos das mãos do governo resolveu vendê-los no mercado financeiro antes do seu vencimento e, para atrair compradores, oferecia um desconto que chegava até os 65%. Quando o governo FHC autorizou o uso de moedas podres na ‘‘compra’’ de empresas estatais, parecia que os interessados iriam comprar os tais títulos no mercado. Grande engano. O próprio BNDES forneceu as ‘‘moedas podres’’ aos “compradores’’ — para eles pagarem em dez anos, a juros vergonhosamente baixos. Você entendeu? Leia e releia, para entender: os grupos de empresários e banqueiros ‘‘compraram’’ empresas estatais entregando ao governo ‘‘moedas podres’’ — que foram fornecidas pelo governo. Para pagar em dez anos. É isso mesmo: o governo não recebeu nem um tostão. Deu as empresas (do povo) para esses grupos.

O banco do senhor Gros apenas fazia parte desses grupos de, digamos assim, privilegiados. Refinados, perfumados, risonhos. Praticando negociatas duplas, triplas, como mostra o caso do senhor Gros e seu banco. E as negociatas não param aí, como se vai mostrar amanhã. Sem o temor de punições, nem de protestos desta sociedade passiva. Cadê os ‘‘caras pintadas’’? E o Congresso?



Acompanhar a vida do site RSS 2.0 | Mapa do site | Administração | SPIP Esta obra está licenciada sob uma Licença CreativCommons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil