Jornal Diário da Manhã , quinta-feira 1º de setembro de 1983
MAIS OTIMISMO – o noticiário sobre as negociações do Brasil com o FMI e banqueiros internacionais continua dando a impressão de que está tudo confuso, há resistências enormes a vencer etc. Esse noticiário acaba sendo desmentido, na prática: ainda agora, ficou-se sabendo que a Carta de Intenções entre o Brasil e o FMI, que estabelecerá as metas que o País precisará cumprir, já está pronta e poderá ser assinada esta semana – muito antes dos prazos que vinham sendo veiculados. E tem mais: também o “sinal verde” do FMI para reinício dos empréstimos ao Brasil poderá vir bem mais cedo do que se tem dito (“lá para outubro”). Por que? Porque os “pacotes” de junho e julho já vêm dando resultados, isto é, o Brasil já está caminhando rumo às metas combinadas com o FMI (ao contrário do que aconteceu no primeiro trimestre, provocando a vinda da segunda missão do FMI ao País). Em julho último, os gastos do governo cresceram apenas 103% em relação a julho de 1982, para uma inflação de 143% no período. Quer dizer, houve uma queda de 16,2% em termos reais, descontada a inflação, demonstrando que o Brasil já caminha para reduzir o déficit do setor público, como o FMI deseja. A partir desse dado – e dos superávits na balança comercial – poderá surgir o “sinal verde” do FMI, em breve.
A REAÇÃO NEGADA – a recuperação da economia norte-americana já “puxa” a expansão em outros países. Em julho, o Japão exportou 5% a mais, chegando aos US$ 12,5 bilhões (em um mês). Também o Canadá exportou 8,8% a mais, no segundo trimestre do ano, e seu PNB cresceu 1,8%. A reativação mundial, repita-se, beneficiará as exportações brasileiras. Bobagem não querer ver.
O CUSTO SOCIAL – economistas tentam negar, bisonhamente, a possibilidade de o Brasil aumentar suas exportações e por isso pregam a “moratória”. O ponto central da questão é outro: quanto custam essas exportações, isto é, quanto dinheiro o País perde, sacrificando o povo, para realizá-las? Num exemplo: para a indústria petroquímica brasileira exportar, o governo lhe vende a nafta, sua principal matéria-prima, a Cr$ 94,00 o litro. Custo da nafta no mercado mundial: o equivalente a Cr$ 1.400,00 o litro. O povo paga a diferença.