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  Você e o desemprego

Jornal Diário Popular ,


Os países ricos protegem suas empresas e seus agricultores

O Carnaval ficou para trás, é hora de fazer um balanço da situação do povo brasileiro — e tentar enxergar o que pode acontecer nos próximos meses. Pra começo de conversa, nada melhor do que examinar os dados estatísticos, muito, muito interessantes, sobre como foi a oferta de empregos no Brasil, nos últimos anos, divulgados às vésperas dos dias de folia pelo Seade, instituto de estudos e pesquisas estatísticas do governo paulista.

A imprensa escondeu, sequer falou, na principal revelação dos estudos, e que interessam muito a você e a todo o povo brasileiro. Os jornais e a TV preferiram dar imenso destaque a uma das conclusões do Seade que não representa novidade nenhuma, a saber, que as mulheres estão ganhando espaço cada vez maior no mercado de trabalho. Uma coisa velha, e para a qual o próprio Seade procurou chamar a atenção sabe-se lá por que motivo. Enquanto isso, as estatísticas traziam uma revelação que, ela sim, merecia manchetes, para reflexão por parte da sociedade brasileira. Que revelação é essa? O Seade pesquisou também o crescimento do desemprego, de acordo com o grau de instrução das pessoas. Você e o povo brasileiro vivem ouvindo figurões e formadores de opinião repetindo que “o desemprego é um problema que será resolvido com a educação”, e que “é preciso retreinar a mão de obra, pois quem tem qualificação consegue emprego”, certo? Pois é. As estatísticas do Seade mostram que isso não é verdade. Em primeiro lugar, o desemprego cresceu para todas as faixas de instrução, isto é, para as pessoas analfabetas ou que têm somente o curso primário, ou secundário, ou para quem cursou o ensino médio e, finalmente, para quem fez universidade. Em segundo lugar, e aí vem o mais importante, o avanço do desemprego foi tanto maior quanto maior o grau de instrução do trabalhador, ficando em torno de 15% para quem tem o curso primário ou médio, e saltando para nada menos de 40% para quem freqüentou a faculdade.

Já se sabia que engenheiros, advogados, químicos, economistas e outros “doutores” também estão desempregados no Brasil. A importância dos dados do Seade, assim, é que eles medem perfeitamente o problema, e dão à sociedade uma visão clara da realidade nacional. Eles desmentem toda a conversa fiada sobre educação e criação de empregos. Permitem por o dedo na ferida, a saber, o povo brasileiro. Você precisa entender que o desemprego vai piorar cada vez mais enquanto o governo FHC continuar com o mercado nacional escancarado às importações de produtos agrícolas e industriais dos países ricos. Enquanto o governo FHC continuar estimulando a venda de empresas brasileiras a multinacionais — que importam o máximo possível de seus países, criando empregos lá fora, e desempregando aqui dentro. Os países ricos protegem suas empresas e seus agricultores, porque querem criar empregos para o seu povo. Em tempo: a França e a Espanha estão anunciando os menores índices de desemprego dos últimos 15 a 20 anos. Isso, depois que as empresas francesas e espanholas passaram a “comprar o Brasil”...



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