Jornal Diário da Manhã , sábado 19 de novembro de 1983
A QUEDA DO DÓLAR – sucessivas vezes, nos últimos meses, o leitor foi advertido, nesta coluna, de que não era mais negócio comprar dólares no “black”, ou mesmo guardá-los. Agora que as cotações no “mercado negro” estão mantendo uma diferença de apenas 30/35% em relação à cotação oficial, também não vale a pena vendê-los. Os grandes especuladores não vão ficar conformados com os prejuízos que sofreram com o declínio no “black” – por causa do acordo com o FMI -, e tentarão fazer novas “puxadas” nos preços do dólar, daqui para a frente. Eles vão espalhar boatos sobre uma nova maxidesvalorização, para “puxar” os preços no mercado negro, para cima. Aí, quem possui dólares e tiver juízo, deverá aproveitar a nova alta para vender os seus dólares. E fazer aplicações menos especulativas com o seu próprio dinheiro.
PARA ESTOCAR – pelo visto, a crise no mercado de frangos e ovos não era tão profunda como se dizia: os preços já começaram a subir, no atacado. Como em alguns supermercados ainda se pode comprar os produtos a preços de oferta – frango de Cr$ 700 a Cr$ 900 o quilo – é vantagem realizar pequenos estoques para o consumo de algumas semanas.
CRISE ABRANDA? – ou houve melhora no comportamento da economia, ou as máquinas de cobrança de alguns Estados são mais eficientes – ou menos “tolerantes” do que outras. No Rio, a arrecadação do ICM chegou a Cr$ 55 bilhões em outubro último, superando em Cr$ 8 bilhões - 17,5% - a previsão.
REAÇÃO ARGENTINA – a economia, e principalmente o setor industrial da Argentina, entraram em forte crise em 1981 e 1982 porque, a pretexto de combater a inflação, o governo escancarou seu mercado às importações (beneficiando grandemente as exportações brasileiras), a pretexto de fazer as indústrias locais venderem mais barato. O desperdício com a enxurrada de importações provocou a crise cambial de 1982/83, e o governo argentino, além de recorrer ao FMI, fecho o mercado às mercadorias estrangeiras (inclusive do Brasil). Com isso, nos primeiros nove meses deste ano, a indústria argentina deixou de sofrer a concorrência estrangeira, e aumentou sua produção em cerca de 8%, em relação a 1982.