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Jornal Diário da Manhã , quarta-feira 30 de novembro de 1983


CONTRA A MÁXI – Iniciada nos bastidores, a campanha dos grandes grupos empresariais para obter nova maxidesvalorização do cruzeiro, realizando grandes lucros com ela, agora foi lançada publicamente. Empresários começaram a repetir, em entrevistas, que se a providência não for tomada, com uma queda extra de uns 20% para o cruzeiro, os produtos industrializados brasileiros não terão condições de venda no mercado externo, porque estão mais caros que os concorrentes, como consequência da inflação brasileira. O governo precisa esvaziar rapidamente essas manobras, pois como já disse aqui nessa coluna, sempre que elas surgem as empresas seguram as exportações (à espera da máxi) e aceleram as importações para estocar mercadorias compradas a um dólar mais barato. Com isso, cria-se realmente uma escassez de dólares e a máxi acaba acontecendo, mesmo sem necessidade.

OS ARGUMENTOS – Não adianta o governo apenas negar que esteja pensando em nova máxi. Ele precisa expor dados, comprovando que a medida é descabida. Por exemplo: é preciso lembrar que, para uma inflação de 200% nos últimos 12 meses, sem expurgo (e de 170% com expurgo) o cruzeiro já caiu quase 300% no período, por causa da máxi de fevereiro. E mais ainda: mesmo depois da máxi, a desvalorização do cruzeiro continuou à frente da inflação, em torno de 115%, de março a novembro (com expurgo) contra 150% de correção do dólar.

VIVA A RECESSÃO-1 – A Mercedes Benz do Brasil reduziu sua produção este ano de 72 mil para 26 mil veículos, isto é, em praticamente dois terços. Mesmo assim vai apresentar um pequeno lucro, segundo a sua diretoria. Nos Estados Unidos a recessão de 1982 provocou prejuízo gigantesco às empresas.

VIVA A RECESSÃO-2 – A Nestlé anuncia que seus lucros no Brasil chegaram a 9% sobre o faturamento este ano contra 7,2% em 1982. Brasil. Terra onde se faz recessão e se desemprega, a pretexto de combater a inflação, e as empresas conseguem aumentar sua rentabilidade – logicamente à custa de brutais aumentos de preços. Às custas de mais inflação.



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