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  O Congresso Nacional, ingênuo

Jornal Diário Popular , quinta-feira 21 de outubro de 1999


Os dados otimistas do Banco Central sobre o “rombo de dólares” do País não merecem confiança, estão sendo desmentidos pela queda do Real. Precisam por isso mesmo ser investigados com urgência pelo Congresso Nacional, que pode evitar este novo e mais grave desastre para o País. Há indícios claros de manipulação de estatísticas para esconder a gravidade da situação, como esta coluna começou a mostrar ontem. Outros pontos sobre os quais senadores e deputados, rejeitando o papel de ingênuos, deveriam exigir esclarecimentos:

Exportações – O governo afirma que o “rombo” da balança comercial (exportações menos importações) caiu violentamente em setembro, para apenas 67 milhões de dólares. Motivo: as exportações estariam crescendo. Pergunta: houve alguma “exportação falsa”, só no papel, feita pela Petrobrás, com a “venda fria” de plataformas submarinas para bancos estrangeiros (operação que os técnicos chamam de sale and lease back)? E as exportações recordes de café, apesar de os preços internacionais terem caído pela metade? Não são apenas embarques para engordar as estatísticas, como foi feito várias vezes na época da ditadura, acumulando-se estoques lá fora que derrubam ainda mais os preços, com perdas irremediáveis de dólares também a médio prazo?

Telefônicas – O governo diz que os investimentos diretos estão em 22 bilhões de dólares, apesar de não ter havido grandes operações de privatização em 1999. Na verdade, neste ano devem ter sido pagos 3,8 bilhões de dólares, equivalentes a 6,6 bilhões de reais devidos como segunda parcela (30% do “preço” de privatização das teles). Essa quantia não havia sido “antecipada” no ano passado? Engano. As compradoras apenas forneceram empréstimo ao governo brasileiro, “comprando” títulos – com valor fixado em dólar. Continuaram devendo a “prestação” do investimento – com valor em Real. O Congresso pode aproveitar para pedir maiores detalhes ao Banco Central.

Dividendos – o Banco Central diz que o Brasil teve saldo positivo em relação às remessas de lucros e dividendos, em setembro, “o que não acontecia desde 1980”. Isto é: empresas ou bancos brasileiros, que têm negócios no Exterior, teriam enviado para o Brasil centenas de milhões de dólares em lucros e dividendos. Essa “enxurrada” de dólares teria até superado as remessas feitas, para seus países, pelas multinacionais, mesmo porque essas remessas teriam caído também na comparação com agosto. Perguntas do Congresso: Por acaso a pretensa remessa de “lucros” para o Brasil foi feita por empresa ou banco estatal? Lucros fantásticos de uma hora para outra? E a tal queda da remessa das multis: como explicá-la, se em alguns países ricos, como os EUA, o ano fiscal termina em setembro, isto é, os balanços são “fechados” nesse mês e por isso mesmo todos os anos as remessas crescem extamente em setembro?



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