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  Dólar e Brasil de mentira

Jornal Diário Popular , dezembro de 1999


Pra fazer de conta que o real está bem, e “derrubar” o dólar, o Banco Central fez um “leilão”, vendendo moeda norte-americana aos bancos, na semana passada. Nada menos de 800 milhões de dólares. Hoje, serão “leiloados” mais de 500 milhões de dólares. Mesmo assim, o dólar subiu ontem. O Brasil de verdade, “quebrando” vai mostrando sua cara, apesar das tentativas malucas, do governo e seus aliados, de tentarem manter o falso otimismo:

Emprego – Há poucos dias, o IBGE divulgou um “balanço” do ano de 1998, reconhecendo que a renda do brasileiro está caindo mas, afirma, com perdas menores para quem ganha menos. Estatística impressionante, que a imprensa grande ignorou: somente no ano passado, a agricultura fechou mais de 400 mil postos de trabalho. Mais sem-terra, mais marginalizados nas cidades, Reforma agrária às avessas. E menos consumidores.

Indústria – também com grande atraso, o IBGE divulgou estatísticas sobre o comportamento da indústria em outubro. Diz que houve um aumento na produção – pequeno, mas positivo porque seria um sinal da “tendência de recuperação”, principalmente para os bens de consumo duráveis, como automóveis. Os resultados são de outubro. Naquele mês as montadoras aumentaram artificialmente a produção, para aproveitar o finalzinho do prazo de redução de impostos. As vendas no varejo, das revendas ao consumidor, caíram naquele mês. Voltaram a cair em novembro, como foi anunciado há poucos dias. Resultado: os estoques de automóveis, nas fábricas e revendedores, é calculado em uns 400 mil veículos. Isto significa que os estoques somente serão escoados em quatro ou cinco meses. Vêm aí suspensão da produção de desemprego.

Salários – segundo o próprio IBGE, ainda em novembro, o total de salários pagos pela indústria (massa salarial, como dizem os técnicos) voltou a ficar 10% do valor pago há um ano atrás, em novembro de 1998.

Esse é o retrato verdadeiro do Brasil, às portas do Natal. Em plenos meses de outubro e novembro, quando a indústria deveria estar trabalhando a plena carga (principalmente em outubro) para entregar as encomendas do comércio, o quadro continuou desanimador. O mais preocupante, porém, é que este País ficou tão delirante no governo FHC que o noticiário econômico está mergulhado a um debate maluco: a possibilidade de a inflação não recuar, por causa – pasme-se – da “recuperação da economia”. É muita loucura. E o próprio presidente da República ganha espaço na imprensa, graças a um bate-boca com o Banco Mundial, porque essa instituição disse que o Brasil vai crescer “só” 2,5% no ano 2000, e o governo FHC bate o pé com sua estimativa de 4% de crescimento. Debate mesmo? Ou encenação para desviar a atenção da opinião pública, para longe do Brasil real?



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