Jornal Folha de S.Paulo , terça-feira 20 de julho de 1982
A explosão inflacionária de junho não perdeu o ímpeto, neste mês de Julho, e dificilmente se conseguirá evitar que os índices da Fundação Getúlio Vargas se situem abaixo da casa dos 8%, registrados no mês passado.
Alem dos aumentos da gasolina, açúcar, energia elétrica, álcool, cigarros, decretados pelo governo, os últimos dias acusaram novas e acentuadas altas de preços para a carne, o café em pó, os lactlclnlos (queijos, sobretudo), e refrigerantes. Esses aumentos, numa reação em cadela, provocaram majorações de preços para o cafezinho (vendido desde ontem a Cr$ 35 a xícara), sanduiches, pastéis e salgadinhos em geral, nos bares e pastelarias e lanchonetes, aumentando os gastos do consumidor com o item "alimentação fora de casa".
A disparada de preços pode ser avaliada por um dado: para os principais produtos reajustados nos últimos dias, a alta acumulada de Janeiro para cá, em menos de sete meses, é sempre no mínimo de 100%.
* Café em pó — fechou o ano de 1981 ao preço de Cr$ 360 o quilo. Já com alta de 100% sobre dezembro de 1980. Até Junho último, havia subido para Cr$ 700, nas padarias (e Cr$ 630, nos supermercados). Nos primeiros dias de Julho, sofreu nova alta, para Cr$ 800 o quilo e, ontem, era vendido em algumas padarias a Cr$ 1.000 o quilo. Proprietários desses estabelecimentos afirmam que Já foram avisados pelas Indústrias torrefadoras de que o produto passará para Cr$ 1.200 o quilo a partir de meados da próxima semana. Observação: nas últimas semanas, o preço da saca de café, pago ao produtor, caiu de Cr$ 16.500/Cr$ 17.000, no interior, para Cr$ 14.500/Cr$ 15.000. A alta acumulada para o quilo de café em pó chega a 178%, este ano: em relação a dezembro de 1980, o aumento é de 456%.
* Cafezinho — passou a custar Cr$ 4,50 em novembro de 1980, quando seu preço foi liberado. Ao preço de Cr$ 35 a xícara, cobrado desde ontem, acusou alta de 678%, Isto é, praticamente a partir daquela data, 700%, contra 456% para o pó de café. Segundo os proprietários de. bares, o reajuste de ontem se deveu apenas á elevação do preço do açúcar, prevendo-se nova alta em decorrência da elevação do custo do café em pó. Este ano, o cafezinho Já aumentou 133%, sobre os Cr$ 15 cobrados em janeiro.
* Carne — o quilo do produto de primeira passou de Cr$ 440 para Cr$ 550, no final da semana, nos supermercados (nos açougues, o produto está custando Cr$ 600 o quilo). Com esse novo aumento de 25%, o preço da carne acusa ume alta de 100% em praticamente três meses: o produto abriu o ano a Cr$ 275 o quilo, preço que praticamente se manteve, nos supermercados, até março/abril.
* Lacticínios — a partir de março/abril, todos os produtos do setor acusaram brutais aumentos de preços. Uma lata de manteiga, de Cr$ 150/180, passou para Cr$ 400/430, com quase 200% de aumento. O queijo prato, a muzzarella, o queijo de Minas tiveram alta de 100%, de março/abril a junho; o primeiro deles (prato), abriu o ano a Cr$ 505, preço mantido no primeiro trimestre, disparando a partir dal, para atingir Cr$ 1.000 o quilo em Junho. Na última semana, sofreu nova alta de 20%, chegando a Cr$ 1.200 o quilo, nos supermercados, com alta de 143% no ano.
* Pãozinho — sofreu novo aumento, de Cr$ 9 para Cr$ 10 em Junho, acumulando 100% contra o preço de Janeiro, de Cr$ 5 a unidade.
* Refrigerantes — seu preço saltou de Cr$ 9 em fins de 1980 para Cr$ 20 no final de 1981, e para Cr$ 35 em Junho último. Os produtos sofreram novo reajuste, de Cr$ 35 para Cr$ 45, nas últimas semanas, acumulando uma alta de 125%, este ano — e de 400% em um ano e meio (de dezembro de 80 a Julho de 82).