[O Brasil de Aloysio Biondi Obra Vida Projeto
data
veiculo
tema
Palavra-chave
Voltar

  Faltou dizer

Jornal Diário da Manhã , domingo 6 de novembro de 1983


Catastrofistas eternos – a economia norte-americana está a todo vapor, contrariando as previsões dos economistas, feitas no primeiro semestre, de que sua recuperação seria passageira. Desmentidos pela realidade, os “catastrofistas” partem agora para novas análises sombrias: no ano que vem, ou em 1985, a expansão econômica dos EUA e outros países desenvolvidos cessará, dizem, porque as empresas estão descapitalizadas pela recessão, não têm capital para investir etc. etc. Ora, com o próprio ciclo de recuperação as empresas se capitalizam: a General Motors, por exemplo, teve um lucro de US$ 800 milhões, no ano passado. Este ano, somente até setembro, seu lucro já tinha saltado para a bagatela dos US$ 2,4 bilhões. Em quase todos os setores, o panorama é o mesmo – e os próximos balanços vão mostrar isso. O resto é cantilena. Eterna.

Mais catástrofe – no Brasil, economistas de oposição insistem em dizer que a recessão imposta pelo FMI provocará o “sucateamento”, (isto é, a transformação em “sucata”) da indústria nacional. Foi isso o que aconteceu na Argentina e no Chile, dizem, por culpa do FMI. Nada mais falso. No Chile e na Argentina, a produção industrial caiu violentamente, o desemprego se alastrou, fábricas e mais fábricas faliram por políticas erradas de governo – contrárias às orientações que o FMI “aconselha” (o que não significa afirmar que ela seja correta). Desde 1979, o governo chileno e argentino “congelaram” o valor das suas moedas, isto é, não a desvalorizaram para compensar a inflação interna.Resultado: o dólar foi ficando cada vez mais barato, e, por isso mesmo, ficou baratíssimo importar. Uma enxurrada de produtos importados entrou nesses países (e também no México) durante três anos, roubando o mercado de produtos locais, destruindo indústrias, provocando desemprego. As reservas em dólares foram queimadas, a dívida externa também ficou insuportável. Não, por culpa do FMI. Não é por aí que pode vir o “sucateamento” do parque industrial brasileiro.

Déficit menor – as despesas da União tiveram uma queda real (isto é, descontando-se a inflação) de 29,2% em setembro: Cr$ 730 bilhões, contra Cr$ 445 bilhões em igual mês de 1982. E ainda há empresários a papaguear que o governo não está fazendo nada para reduzir o déficit público.



Acompanhar a vida do site RSS 2.0 | Mapa do site | Administração | SPIP Esta obra está licenciada sob uma Licença CreativCommons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil