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Jornal Diário da Manhã , sábado 20 de agosto de 1983


O MITO DO DÓLAR – líderes empresariais e economistas do grupo “internacionalista”, como os srs. Mário Garnero e Roberto Campos, defendem maiores facilidades para os investimentos das multinacionais no País. Bem na cartilha do governo Reagan e do FMI, argumentam que isso facilitaria o pagamento da dívida externa, pois os dólares que entram como investimento não precisam ser devolvidos, ao contrário dos empréstimos. Por isso, já existem “grupos de trabalho” Brasil-EUA estudando modificações na lei de remessas de lucros, compra de tecnologia das matrizes etc. O exemplo do México mostra que essas mudanças são uma “armadilha” para o Brasil. O México, depois do acordo com o FMI, estabeleceu leis favoráveis ao capital estrangeiro. Os investimentos cresceram? Não. Caíram de US$ 400 milhões no primeiro trimestre de 1982, para US$ 20 (vinte, mesmo) no primeiro trimestre deste ano. Está provado que as multinacionais só investem em países que atravessam fases de prosperidade, com mercados em expansão, o que não é o caso do Brasil. As mudanças propostas, assim, vão oposto ao apregoado: aumentarão as remessas e o pagamento de compra de tecnologia, aumentando a dívida.

O MITO DO DÓLAR – 2 – o Brasil já teve, recentemente, experiência semelhante a do México. Por pressão das Bolsas de Valores e especuladores como Naji Nahas, o governo abrandou as regras para formação de fundos de investimento com capitais estrangeiros (investidores do exterior). Antes, os dólares investidos da Bolsa de Valores do Brasil deveriam ficar dois anos no Brasil, antes de serem remetidos de volta. O prazo foi reduzido – pasme-se – para 90 dias, alegando-se que o prazo longo “desestimulava” os investidores. A mudança trouxe dólares para o Brasil? Ao contrário: com as novas regras, os dólares puderam ser retirados do País e o patrimônio daqueles fundos caiu a 25% dos níveis anteriores. O governo brasileiro bancou o “pato”. Ou não?

MENOS MAL – há quem seja cético, mas o fato é que são cada vez melhores as perspectivas para as exportações brasileiras, nos últimos meses. A indústria norte-americana já está utilizando 76% de sua capacidade, contra 68%, em fevereiro. Crescerão as importações de minérios, matérias-primas e mesmo peças e componentes produzidos por filiais brasileiras.



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