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  A hora de criar empregos

Jornal Diário Popular , domingo 25 de junho de 2000


Nos últimos meses, França, Alemanha e outros países da chamada União Européia, que vinham enfrentando enorme desemprego, bateram recordes na criação de empregos. No caso da França, principalmente, a “virada” começou há uns dois anos, quando o governo adotou políticas para forçar a criação de vagas de trabalho, destacando-se duas medidas: contratação de jovens (primeiro emprego) para repartições públicas que atendem o povo e redução de impostos para empresas que (comprovadamente) contratassem mais empregados. Essa política de empregos foi adotada por um governo, socialista, “de esquerda” — e provocou uma chuva de críticas e previsões sombrias feitas pelos conservadores da França e de outros países ricos. Exatamente como acontece no Brasil os críticos diziam que as medidas eram “populistas” e “demagógicas”. Iam só aumentar o “rombo” do Tesouro (também como dizem aqui), já que governo ia aumentar despesas com os funcionários contratados e perder arrecadação com a redução de impostos para as empresas que ampliassem seu quadro de pessoal.

O governo socialista da França rebatia essas críticas com o argumento de que, ao estimular a criação de empregos, além de estar resolvendo um problema social, iria conseguir também o crescimento da economia e reduzir o “rombo” do Tesouro. Como isso tudo seria obtido? O aumento no número de empregados aumentaria também o poder de compra da população como um todo, ampliando o consumo, as vendas do comércio e da indústria, que por sua vez também contratariam mais trabalhadores, que consumiriam mais e assim sucessivamente, impulsionando o crescimento da economia.

E o “rombo” do Tesouro? Obviamente, esse crescimento das vendas e da produção traria também aumento na arrecadação de impostos, que compensariam largamente os gastos iniciais feitos para ampliar o emprego. O raciocínio do governo socialista francês estava correto — em poucos meses a economia iniciava um processo de recuperação e a arrecadação de impostos crescia.

Você deve estar se perguntando a esta altura: o que essa história tem a ver com o Brasil — e com o tal “consenso de Berlim”, que representa uma reviravolta mundial, como esta coluna começou a analisar no domingo passado? Resposta: tudo. Nos últimos anos, os países ricos espalharam as teorias do chamado “neoliberalismo”, que colocaram como prioridade absoluta a necessidade de os governos terem equilíbrio entre gastos e despesas, para evitar “rombos”, que, segundo eles, provocaram inflação e desestabilizaram a moeda.

A França mostrou que essas teorias podem ser aplicadas de forma “burra”, isto é, o corte de despesas do governo acaba provocando mais recessão, mais desemprego, mais queda na arrecadação e, portanto, mais “rombo” — como o caso do Brasil deixa claro. Agora, os países ricos, em conjunto, chegaram a essa conclusão e decidiram rejeitar as teorias neoliberais, em encontro realizado em Berlim. Surge a oportunidade de o governo FHC mudar suas políticas econômicas. É o que se verá melhor, a seguir.



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