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  Inflação e Burrice

Jornal Diário Popular , sexta-feira 12 de novembro de 1999


Os índices de inflação passam da casa de 1,0% e causam "surpresa" aos técnicos do governo, jornalistas ligados a Brasília e um grupo de economistas. Ora, "surpresa" mesmo para você é ver que o governo e os pretensiosos "técnicos" continuam a viver nas nuvens - ou com o coração em outros países, como a França, os EUA, a Inglaterra que eles tanto amam. O fato é que qualquer dona de casa, qualquer chefe de família, qualquer brasileiro já sentiu na pele, há muitas semanas, que a inflação está de volta. Como explicar a "surpresa" dos poderosos? Pelo jeito eles mentiram tanto, mas tanto nos últimos anos, repetindo tolices como "a estabilidade do real", a "confiança internacional no Brasil", que acabaram acreditando nas próprias mentiras, isto é, embarcaram num tipo de delírio, ou esquizofrenia, incapazes de enxergar a realidade.

Problemas deles? Não. Perigo para você e o restante da sociedade brasileira. Por quê? O fato concreto é que o governo FHC continua a tomar as decisões sobre a economia do País, isto é, continua a decidir o destino do País e da sociedade brasileira. Se o governo FHC e as elites que o apoiam continuarem delirantes, sem enxergar o que realmente está acontecendo, os rumos da política econômica continuarão errados, e continuaremos a caminhar para uma crise sem tamanho. Infelizmente, se você acompanhar as entrevistas e análises dos tais técnicos do governo e arrabaldes, vai ver que essa ameaça existe. Eles não aprenderam nada com a "surpresa". Continuam a dizer bobagens, e a agir como delirantes, cometendo novas burrices pelas quais todo o povo brasileiro vai pagar. Por exemplo: o governo já anunciou que o Banco Central pode até aumentar as taxas de juros novamente para - diz ele - combater a inflação. O que uma coisa tem a ver com a outra? Os delirantes de Brasília e seus diletos amigos "acham" que a inflação é provocada pelo "aumento de consumo", e os juros ajudariam a evitar o avanço nas vendas. Como é possível eles "acharem" que alta de preços é provocada por uma tal de "recuperação da economia", se, apenas para citar três exemplos, a indústria de construção vai tão mal que demitiu 15% de seus trabalhadores em São Paulo, até setembro; se as vendas à vista no comércio caíram 12% em outubro (apesar do Dia da Criança); e a venda de automóveis despencou de 180 mil carros por mês em 1998, para menos de 80 mil em outubro último? Como esta coluna previu há quase dois meses, a inflação que aí está é fruto da alta do dólar e também da falta de apoio à agricultura (este governo não tem mais estoques, repita-se). É muita burrice aumentar os juros, ou, mantê-los nas nuvens, pensando em combater a inflação. Uma burrice clara, porque as taxas altas estão fazendo o Tesouro gastar R$ 10 bilhões por mês. Um "buraco" que vai explodir de vez o Real.



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