quarta-feira 21 de março de 1979
Habituado nos últimos anos a entreveros entre ministros, o respeitável público brasileiro entregou-se a especulações antes mesmo da posse do governo Figueiredo, apostando em conflitos inevitáveis entre Simonsen, Delfim Netto e, posteriormente, Rischbieter, os novos ministros do Planejamento. Agricultura e Fazenda. Há razões de toda ordem para que eles ocorram, aponta-se. De um lado. existem os inevitáveis choques de interesse, como no caso da Fazenda e da Agricultura. De outro, o próprio temperamento e talento dos ministros, sem falar nas ambições políticas dos grupos aos quais se ligam. Inicialmente, as perspectivas de embates envolviam apenas Simonsen e Delfim Netto, já que o noticiário em torno do novo ministério apresentou Rischbieter como "mero gerente", na Fazenda, para executar diretrizes estabelecidas por Simonsen. Na medida, porém, em que a figura do ex-presidente do Banco do Brasil ganhava destaque, as previsões foram sendo ampliadas.
Questão de estilo. Se depender apenas da questão econômica — sem levar em conta o "jogo político" —, o governo Figueiredo poderá decepcionar as multidões, em matéria de divergências ministeriais. Como presidente do Banco do Brasil — principal instrumento do governo na execução de sua politica agrícola —, o novo ministro da Fazenda revelou uma visão de mundo e um estilo administrativo que nada têm a ver com a obsessão monetarista e a convivência com a especulação financeira apresentadas por seus antecessores. Rischbieter criticou o open market e suas distorções. Puxou a orelha dos banqueiros, diversas vezes, ciriticando-os pelos juros altos, e tentou mesmo forçá-los a reduzir o custo do dinheiro, ao tomar essa providência no Banco do Brasil. Mais ainda: encomendou estudos especiais a seus assessores, para definir políticas de apoio à pequena e média empresa e para identificar os beneficiários do crédito barato (com os subsídios pagos pela nação).
Colaboraram José Carlos Bardawil e Paulo Fona, de Brasília