Jornal Diário da Manhã , quinta-feira 15 de dezembro de 1983
A DIFERENÇA – o México iniciou negociações com os banqueiros internacionais para obter os dólares de que precisará em 1984, e pediu US$ 4,0 bilhões em “empréstimos novos”. Ao contrário do Brasil, porém, essa solicitação é somente uma atitude de cautela pois, como ocorreu este ano, os mexicanos dificilmente precisarão, mesmo, desses créditos. Por quê? O México tinha no final de 1982, uma dívida externa calculada em US$ 83 bilhões que exigiu o pagamento de aproximadamente US$ 10 bilhões em juros aos bancos, este ano. Para cobrir esses pagamentos, o governo mexicano contava com um saldo (exportações menos importações) de US$ 6,0 bilhões, sobrando portanto um rombo de US$ 4,0 bilhões, correspondente à diferença entre os US$ 10 bilhões e os US$ 6,0 bilhões.
O MITO – ocorre porém, que graças à reação do mercado mundial de petróleo no primeiro semestre deste ano, as exportações mexicanas cresceram acima das previsões, ao mesmo tempo em que as importações caíam verticalmente (por causa da recessão implantada pelo governo). Resultado: o saldo da balança comercial (exportações menos importações) chegou a US$ 12,0 bilhões, que pagam os juros de US$ 10,0 bilhões, e ainda deixam uma sobra de US$ 2,0 bilhões. Mais ainda: no balanço de pagamentos, existe uma conta chamada “serviços” que compreende as remessas de dólares para pagar fretes, assistência técnica, os gastos com turismo, a remessa de lucros pelas multinacionais etc. No caso do México, essa conta deixa um saldo positivo de uns US$ 3,0 bilhões por ano, graças ao turismo em geral e às vendas aos turistas norte-americanos na fronteira com os EUA. Resultado final: além da “sobra” deixada pela balança comercial, de US$ 2,0 bilhões, existe ainda esse saldo de US$ 3,0 bilhões na conta de “serviço”, obtendo-se um saldo final de US$ 5,0 bilhões, mesmo depois de pagos os juros. Em poucas palavras: o México, em 1983, não apenas não precisou de novos empréstimos dos banqueiros, como reduziu sua dívida externa, nessa cifra aproximada de US$ 5,0 bilhões – resultado que desmente outro mito dos economistas, de que “é impossível pagar a dívida externa”.
E A RECESSÃO? – agora, com a casa em ordem, o México já está pensando em adotar uma política que traga algum crescimento à economia, no próximo ano. De qualquer forma, bom para o Brasil, que vinha exportando maciçamente ao México, até que esse País também adotasse uma política de cintos apertados, por causa da dívida externa.