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  Quem ama esse governo

Jornal Diário Popular , terça-feira 4 de abril de 2000


Um prejuízo de nada menos que R$ 13 bilhões no ano passado. Foi esse o resultado do balanço do Banco Central do governo FHC divulgado discretamente no final da semana. Pois é. Veja só você: esse “rombo” gigantesco representa um valor cinco vezes maior do que os R$ 2,5 bilhões (este, o número correto) que a Previdência desembolsaria este ano, se o salário mínimo subisse para US$ 100 e que o presidente Fernando Henrique Cardoso insiste em “aumentar” em R$ 15.

E tem mais: esse prejuízo de R$ 13 bilhões é apenas do Banco Central. Mas a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e os fundos de pensão de estatais certamente também enfrentaram prejuízos em determinadas operações em 1999 cujo montante a opinião pública nunca ficará sabendo, já que essas perdas foram encobertas, nos balanços, por lucros em outras áreas atendidas pelas instituições. Para onde foi essa fábula de dinheiro? Se você pensou nos banqueiros nacionais e internacionais, acertou, mas não completamente. Como assim? Na verdade, no Brasil, comete-se um engano permanentemente: a opinião pública é levada a acreditar que os “socorros” do Banco Central a bancos que estão ameaçando quebrar, ou acabam quebrando, beneficiam apenas aos banqueiros. Não é assim.

Além das próprias instituições financeiras, grandes grupos empresariais e grandes investidores/empresários também participam das jogadas especulativas no mercado financeiro e o nosso dinheiro, injetado pelo Banco Central para socorrer bancos em dificuldades, é usado exatamente para pagar os compromissos que eles assumiram com esses parceiros especuladores.

Fica fácil entender isso, analisando-se as causas do prejuízo de R$ 13 bilhões enfrentado pelo Banco Central. Do total, nada menos de R$ 7,6 bilhões foram jogados no lixo, ou no bolso dos especuladores pelo Banco Central, com operações no mercado de dólar, no final de 1998 e começo do ano passado: o governo vendeu uns US$ 15 bilhões nos chamados mercados futuros para segurar mentirosamente as cotações da moeda norte-americana, isto é, para tentar fingir que o real continuava firme na faixa de R$ 1,20 por dólar. Quando o real despencou de 50% a 60%, o Banco Central foi obrigado a comprar dólares, pagando de R$ 1,80 a R$ 2,00, e entregá-los aos especuladores pelo preço velho, de R$ 1,20, com aquele prejuízo de R$ 7,6 bilhões sobre os contratos de uns R$ 15 bilhões. O prejuízo de R$ 7,6 bilhões, é lógico, foi ao mesmo tempo o lucro de R$ 7,6 bilhões dos bancos nacionais e multinacionais, que acusaram saltos de 800% em seus lucros, no ano passado, e foram também os lucros de grandes grupos empresariais que “sabiam” que o dólar ia disparar.

Explicada a origem de uma parte do prejuízo do Banco Central, a análise da fatia restante fica para amanhã. Desde já, porém, é fácil adivinhar a quem o governo Fernando Henrique Cardoso ama. E quem ama esse governo.



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