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Jornal Diário da Manhã , quarta-feira 12 de outubro de 1983


A GRANDE CONCORDATA – Causou estupor o pedido de concordata de seis empresas do grupo Ometto, de São Paulo, o maior produtor mundial de açúcar e de álcool. Logo, surgiram as afirmações de que é tudo “culpa da política econômica, do governo”, e, em particular, da “maxidesvalorização”. Ora, há muitos anos – as estatísticas mostram isso claramente – os grupos empresariais do setor aumentam seu patrimônio incessantemente, compram terras incessantemente, transformam regiões e regiões em vastos “mares de cana”, expulsando o médio proprietário e as culturas de arroz e feijão. Há muitos anos, os créditos subsidiados ao setor, que deveriam ser aplicados na melhoria da produtividade da cultura de cana ou das próprias usinas, são desviados para essa ampliação desmedida do patrimônio. Ao contrário do que o concordatório diz, os lucros do setor nos últimos dois anos estão sendo garantidos pelo Tesouro, pelo povo, sob várias formas. Por exemplo: o preço interno do açúcar está muito acima da cotação mundial. O Governo compra o açúcar mais caro e vende mais barato lá fora, arcando com o prejuízo. Sangria do Tesouro, do povo, este ano, somente com essas exportações: Cr$ 300 bilhões. Os empréstimos do Proálcool foram feitos a juros altamente subsidiados. E o álcool é subsidiado. A melhor prova de toda essa realidade está no próprio pedido de concordata: o grupo Ometto alegou que a “maxi” aumentou muito os encargos de uma dívida de US$ 45 milhões que ele mesmo assumira, no começo deste ano. Para que o empréstimo? Para comprar uma usina e terras adjacentes ao imenso latifúndio de sua propriedade na região mais rica em terras roxas de São Paulo.

CUIDADO COM OS JUROS – A queda nos preços dos alimentos no atacado, já em marcha, vai puxar as taxas de inflação para níveis mais baixos, e muito mais depressa do que se pensa. Empresas e consumidores devem ter cuidado, a esta altura, para não contraírem empréstimos (inclusive no crediário) a taxas de juros fixos, na casa dos 200%, 250% a 300% ao ano. Elas ficarão insuportáveis, com a queda da inflação, pois a diferença entre ambas crescerá incrivelmente. Empréstimos? Só com correção monetária, que acompanhará a taxa de inflação dos próximos meses.

CUIDADO COM O DÓLAR – No próximo dia 16, o dólar no “mercado negro” vai completar dois meses com o preço na faixa de Cr$ 1.200,00. Quem guarda dólares, está perdendo uns 20% a esta altura. É hora de pensar em vendê-los e partir para outra aplicação.



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