Jornal Diário da Manhã , quinta-feira 1º de dezembro de 1983
CONTRA PRESSÕES – já está confirmado que o Governo deseja mesmo usar o crédito para a compra da nova safra agrícola, destinando-o exclusivamente aos produtores rurais (como muita gente sabe até agora esse crédito, subsidiado, era concedido também à indústria, supermercados, etc, que engordam seus lucros às custas do Tesouro e do Déficit Público).
O assunto vai ser resolvido na próxima reunião do Conselho Monetário e, como era previsível, há forte pressão de grupos empresariais contra a mudança. Seria oportuno que as entidades agrícolas entrassem em cena, defendendo o novo esquema, para contrabalançar essas pressões. Afinal, a mudança significará mais crédito para os próprios produtores, acabando-se com o desvio de recursos para grupos que nada têm a ver verdadeiramente com o setor.
CONTRA A MÁXI – em fevereiro último a maxidesvalorizção do cruzeiro surgiu logo após o ex-ministro Simonsen tê-la defendido, em célebre reunião da Federação das Indústrias de São Paulo. Agora, quando está em marcha uma campanha para conseguir nova Máxi, Simonsen saiu em cena para dizer que a medida não é necessária.
PARA ESTOCAR – para quem ainda pode usá-lo vale a pena estocar o azeite de oliva. Seus preços devem disparar no mercado mundial, pois a produção em 84 vai cair quase 500 mil toneladas, de 1,9 para 1,4 milhões de toneladas, em virtude da perda da safra de azeitona da Espanha.
PARA EVITAR – com a queda da inflação, recomendou-se que o consumidor passasse a fugir do crediário onde as taxas de juros estão em torno de 300% a 400% ao ano. Assim, as melhores alternativas pasariam a ser os cartões de crédito e os cheques especiais cujas taxas normalmente caem junto com a inflação. Agora, surge um “porém”: alguns cartões de crédito e alguns cheques especiaias aumentaram as suas taxas de juros para 13% ao mês, a partir de dezembro, examente para “aproveitar” o aumento da procura de crédito por causa das compras de Natal. Quem puder, evite essas taxas comprando à vista.