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  Pode esquecer a crise mundial

Jornal Diário Popular , sexta-feira 24 de setembro de 1999


Você pode escrever: agora que a economia dos EUA começa a tremer, e as Bolsas de Valores norte- americanas desabam, você vai ter a volta de previsões terríveis. Aquelas profecias, tipo "a economia mundial enfrentará uma recessão como nunca houve igual, pior que a crise dos anos 30" e por aí afora. Não perca o sono por causa desses "- chutes". É verdade que a economia dos EUA, para azar de Clinton, sofrerá fortes abalos, pelos motivos analisados nesta coluna há mais de um mês (e revistos na última sexta-feira). E é óbvio também que os problemas norte-americanos terão reflexos em outros países. Mas as previsões de caos são exageradas, porque outros países estarão "- puxando" para cima o comércio e a economia internacionais. Se você duvida, veja então alguns fatos para os quais os meios de comunicação não deram destaque, e que desmentem totalmente as previsões catastrofistas:

Países asiáticos — lembra-se do noticiário terrível sobre a Coréia e Malásia, quando os países da Ásia "quebraram" no final do ano retrasado e ficaram sem dólares? Pois a Coréia e a Malásia hoje têm um saldo positivo (exportações menos importações) de 30 bilhões de dólares (em doze meses, respectivamente). E sua indústria cresceu 20% e 5% nos primeiros meses deste ano.

Europa — a economia norte-americana está entrando em crise, como você sabe, porque enfrenta um "rombo" de 25 bilhões (com a letra "b") por mês na balança comercial. A situação dos países europeus é oposta: a Alemanha tem um saldo positivo de 70 bilhões de dólares por ano; a Itália, de 25 bilhões, a França, de 40 bilhões de dólares...

Rússia & Cia. — no ano passado, Rússia, Venezuela, Equador entraram em crise. Principal razão de seus problemas: a queda violenta que os preços do petróleo vinham sofrendo há dois anos (de 20 para 10 dólares o barril). Como o petróleo representa até 70% das exportações desses países, eles ficaram sem dólares para pagar seus compromissos (e os governos enfrentaram também a queda na arrecadação de impostos sobre a exportação do produto). A Rússia continua em crise? Só no noticiário internacional distorcido: já em fevereiro deste ano, ela acumulava um saldo positivo de 24 bilhões de dólares em sua balança comercial (exportações menos importações). Isso, antes mesmo da disparada dos preços do petróleo, que a partir de fevereiro subiram 150%, de 10 para 25 dólares o barril. Essa alta do petróleo vai beneficiar a economia de todos os países que exportam o produto.

Em resumo, não perca o seu sono. Não há crise mundial à vista. O que vai acontecer é uma perda da liderança que os EUA vinham impondo ao mundo, e que vai ser repartida com a Europa. E haverá prosperidade também para países menos ricos. Isto é, países que tenham governantes que defendam os interesses de seus povos... É o caso do Brasil?



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