Jornal Diário da Manhã , quarta-feira 24 de agosto de 1983
PARA ONDE VAI O DINHEIRO – as denúncias do jornal O Estado de São Paulo sobre corrupção no comércio entre Brasil e Polônia, que teria sido praticada por importantes assessores do ministro Delfim Netto, permitem demonstrar mais uma vez que a política de austeridade pregada pelo Fundo Monetário Internacional não representa, forçosamente, uma recessão incontrolável. O FMI estabelece limites para o déficit do governo (mais exatamente) e para a expansão do crédito, sim. Mas se os recursos disponíveis dentro desses limites forem aplicados de forma criteriosa, o impacto recessivo pode ser minimizado. No caso dos “negócios” com a Polônia, o Banco Central pagava, em cruzeiros, aos grupos empresariais brasileiros, o valor das mercadorias exportadas para aquele País. Se a Polônia pagasse, em dólares, esse mesmo valor ao Banco Central, este venderia os dólares, aqui dentro, a empresas que desejassem realizar importações – isto é, receberia de volta os cruzeiros que havia “adiantado” aos exportadores. Como a Polônia não conseguiu fazer os pagamentos, tudo se passou como se o Banco Central tivesse emitido cruzeiros para beneficiar os exportadores. A dívida da Polônia aproxima-se de 1,8 bilhão de dólares, ou cerca de Cr$ 1,2 trilhão (isto é, mais de 10% do orçamento da União este ano). Tudo se passou, pois, como se o Banco Central tivesse emitido esses Cr$ 1,2 trilhão para beneficiar poucos grupos – enquanto o crédito continua apertado para centenas de milhares de empresas, como forma de respeitar os limites combinados com o FMI.
HORA DE COMPRAR – com uma queda de 30% em suas vendas este ano, as indústrias de televisores estão fazendo qualquer negócio para “desovar” estoques. O consumidor que souber regatear pode fazer compras vantajosas, nas lojas de eletrônicos domésticos.
CUIDADO COM O DÓLAR – o “sinal verde” do FMI, para os bancos brasileiros liberarem os empréstimos ao Brasil, pode surgir mais cedo do que pensam os especuladores do “mercado negro”. Com a entrada dos empréstimos, as cotações do “black” recuariam.