Revista Doçura , julho de 1980
Classe média voa para longe do sufoco da metrópole
O Instituto Gallup fez uma pesquisa, 4 anos atrás, e com¬provou. Metade dos paulistas adultos (mais de 25 anos) gos¬taria de mudar para o interior. Poluição, violência, vida difícil — alegam. Mas por que não vão embora?
— Seria uma maravilha, mas infelizmente é em São Paulo que a gente ganha dinheiro. É aqui que a gente faz a vida.
As pessoas se traem: a vida é difícil, mas aqui se faz a vida... Referem-se, claro, ao mercado de trabalho, à grande oportunidade de emprego.
4 anos depois — Porém, as vantagens que a metrópole sempre ofereceu, principalmente à classe média, desaparecem rapidamente. E espera-se uma revoada de gente para o interior.
O fenômeno até já começou, sem que se perceba direito.
Muita concorrência — Acontece que o mercado de trabalho ficou muito difícil para os profissionais de nível universitário. Dezenas de milhares de jovens são formados todos os anos, a concorrência aumenta cada vez mais os salários ou ganhos entram em queda.
Noutras palavras, deixou de ser vantagem viver na metrópole, para tornar-se economicamente independente.
No interior dá? — Algumas cidades do interior chegam a registrar, nas pesquisas, "nenhum médico"; "nenhum dentista"; etc. E ainda há mais.
Principalmente em São Paulo, melhorou bastante o padrão de vida nas cidades. E a classe média interiorana já consome certos serviços como escolinhas, cursos de natação, ginástica, etc, para toda a família. Já adota hábitos de metrópole, como ir ao teatro e jantar fora.
E uma coisa puxa outra: se os "novos" profissionais vão para o interior, o interior passa a procurá-los. Os "novos" hábitos se intensificam, cresce o mercado, e assim por diante.
Mais um motivo para a revoada? As despesas na metrópole estão subindo como um rojão, no exato momento em que a renda da classe média cai.
Vamos fazer as malas?