[O Brasil de Aloysio Biondi Obra Vida Projeto
data
veiculo
tema
Palavra-chave
Voltar

  Como sair da crise

Jornal Diário Popular , dezembro de 1999


Lideranças empresariais repetem declarações otimistas sobre as vendas de Natal. No entanto, basta olhar ao redor para verificar que elas são enganosas. Em plena semana da chegada do Ano Novo, redes de supermercados e hipermercados, e mesmo os shoppings centers, iniciam promoções e liquidações maciças, com descontos violentos nos preços e financiamento em seis a sete meses sem juros.

Não há como esconder que esse esforço agressivo para conquistar o consumidor tem uma só explicação: as vendas ficaram muito abaixo das expectativas e há estoques volumosos. Esse quadro mostra que as encomendas à indústria sofrerão nova retração no começo do ano, levando a nova onda de demissões a praticamente todos os setores, com agravamento da crise social.

Como o Brasil chegou a essa situação recessiva? Hoje, mesmo aliados do governo reconhecem que as expectativas de recuperação da economia, prometida para o segundo semestre de 1999, eram “furadas”.

Por quê? Como esta coluna cansou de alertar, não se pode sonhar com aumento nas vendas e crescimento econômico quando a população está com seu poder aquisitivo terrivelmente reduzido por uma série de fatores: ajuste ridículo de R$ 6,00 para o salário mínimo, congelamento dos vencimentos do funcionalismo há cinco anos, queda dos preços pagos ao produtor agrícola – tudo isso, coroado pelo achatamento de salários e perda de renda familiar, em conseqüência do desemprego, provocado pelas importações, estimuladas pelo governo.

Às portas da “virada” do ano, fica claro que o ano 2000 somente poderá trazer alegrias ao trabalhador brasileiro se o presidente Fernando Henrique Cardoso encarar finalmente a realidade, e adotar mudanças rápidas em sua política econômica. Agora, seu governo já não tem mais desculpas para justificar os problemas do País, atribuindo-os, como nos anos anteriores, à “crise russa” ou à “crise asiática”.

É evidente que a política de importações precisa mudar: Mas há medidas de emergência que podem se adotadas para iniciar um processo de recuperação da economia. A revisão do salário mínimo é inadiável, mesmo que sob a forma de “abono” (para evitar reajustes em cadeia nos níveis superiores de salários e aposentadorias).

Uma providência que se faz ainda mais necessária, diante do aumento do custo da cesta básica, que vem batendo recordes. Outra decisão simples, capaz de devolver algum poder aquisitivo ao trabalhador: o “deslocamento’ das tabelas do Imposto de Renda. Conforme a própria Receite Federal admitiu, os trabalhadores e a classe média vêm sendo prejudicados, com um aumento indireto do IR, porque as tabelas para descontos e deduções não foram atualizadas de acordo com a inflação (e praticamente 30% no período), desde janeiro de 1996. Um "confisco" invisível, que também tem reduzido o poder de compra das famílias. É hora de cancelá-lo.



Acompanhar a vida do site RSS 2.0 | Mapa do site | Administração | SPIP Esta obra está licenciada sob uma Licença CreativCommons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil