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  Maluquices e Internet

Jornal Diário Popular ,


Sem sair de casa, o consumidor pode fazer suas compras de todo tipo de mercadoria, desde produtos de supermercados a discos, livros, roupas, eletrodomésticos, carros. Basta ele sentar-se à frente de seu computador, batucar no teclado para fazer a sua lista de produtos desejados e usar uma senha para mandar o pedido para a loja ou empresa vendedora. Sua encomenda será entregue em casa, transportada até pelos Correios, caso ele more em outro País. É a revolução da tal da Internet, a rede mundial que ‘‘liga’’ milhões e milhões de computadores no mundo todo, e sobre a qual o noticiário da imprensa traz manchetes diárias.

Fala-se em bilhões de vendas disso, bilhões de venda daquilo. E noticia-se, quase todo dia, que a empresa telefônica fulana comprou a empresa de serviços na Internet sicrana, para faturar tantos e tantos bilhões. Como se dá destaque, sempre, à incrível disparada, nas Bolsas de Valores mundiais, de ações de empresas ligadas do mundo dos computadores e da Internet.

O que há de verdade por trás dessa ‘‘onda’’ toda? Todas as empresas que passam a fazer negócios na Internet vão ficar milionárias ou a maior parte delas vai quebrar? E as ações que aumentam seu valor em dez vezes, ou 1.000% da noite para o dia, vão continuar fazendo milionários, ou despencarão de uma hora para a outra, arrastando as Bolsas para baixo?

Como sempre, vale a pena dar uma analisada nos números, para uma resposta. No ano passado, a maior rede de supermercados do País passou a realizar vendas pela Internet. Maior agito na imprensa. Qual foi o faturamento da rede com o sistema? Míseros R$ 5 milhões.

Além de vender, empresas também passaram a divulgar seus anúncios na Internet, logo apontada como uma concorrente arrasadora dos jornais, revistas, TV (que, segundo se dizia há alguns anos, iria ‘‘matar’’ a imprensa escrita, é bom lembrar). Qual foi o faturamento proporcionado pela divulgação dos anúncios na Internet? Foram R$ 80 milhões. Isso é muito ou pouco? É ridículo. Apenas 1% do faturamento do mercado publicitário brasileiro, de R$ 8 bilhões por ano.

E nos EUA, onde há uma febre de Internet, utilizada por mais de 40% da população, ou 100 milhões de pessoas? Lá, as vendas de mercadorias através da rede chegaram a US$ 150 bilhões no ano passado. Uma fábula, dizem analistas, de boca cheia. Não é não. Os consumidores americanos gastam US$ 7,2 trilhões por ano.

Em conclusão: só um tolo negaria que a Internet, ou melhor, a comunicação à distância com o uso de computadores, é uma revolução total no modo de vida e na história da humanidade. É o futuro. Mas a ‘‘corrida’’ de empresas para o setor é mais uma maluquice, dessas que sempre surgem quando aparece um grande modismo. O mercado não tem o tamanho que dizem. Os investimentos maciços não terão retorno. Muitas empresas vão quebrar. Junto delas, a queda nas Bolsas.



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