[O Brasil de Aloysio Biondi Obra Vida Projeto
data
veiculo
tema
Palavra-chave
Voltar

  Onde fica a esperança

Jornal Diário Popular , sexta-feira 23 de junho de 2000


As vendas dos supermercados desabaram novamente em maio, com recuo de nada menos de 5% sobre o ano passado, segundo a Abras, associação nacional do setor. Queda na venda de comida e bens essenciais no mês ‘‘forte’’ de faturamento, por causa do Dia das Mães. Agora em junho, as consultas ao SCPC, tradicionalmente encaradas como uma forma de ‘‘medir’’ as vendas a prazo, estão estagnadas, com variação de apenas 0,5% até o dia 20, na comparação com o ano passado. Isso, apesar do “dinheiro’’ extra no orçamento de um número representativo de famílias, injetado pelo reajuste do salário mínimo que, embora absolutamente ridículo, foi maior do que o ‘‘concedido’’ no ano passado pelo governo FHC. A recessão continua a avançar. E as perspectivas de piora são evidentes, para as próximas semanas. Por quê? Antes de mais nada, por causa dos reajustes violentos (quando comparados com os níveis atuais de inflação no País) nas tarifas de serviços privatizados: telefones, energia, transportes, pedágio. Para todos eles, aumentos predominantemente na faixa dos 15%, com alguns deles aproximando-se dos 20%. Num País em que os reajustes salariais, quando são obtidos, estão ficando na faixa dos 5% a 7%, as tarifas majoradas vão representar novos sugadouros nos orçamentos familiares, deixando menos ‘‘sobras’’ para o consumo de outros bens e serviços — ou para quitação de dívidas. Vale dizer, nova redução no baixo poder aquisitivo da população, principal causa da retração dos negócios no País, erradamente atribuída a taxas de juros ou tolices semelhantes. E outro fator está surgindo no cenário, para agravar os problemas: a inflação.

A carestia — além das tarifas das empresas privatizadas, mais dois focos de alta de preços estão surgindo no horizonte: petróleo e alimentos. Para o petróleo, já se sabe que os aumentos de preços serão inevitáveis. O governo está tentando evitar que eles superem os 10%, planejando, para isso, nova ‘‘garfada’’ na Petrobras — mas não conseguirá fugir de uma revisão dentro dessa faixa, pelo menos. Para manter os preços atuais da gasolina e outros derivados, seria preciso que o custo internacional do petróleo ficasse na faixa dos US$ 25 o barril, no máximo. E, mesmo com o aumento da produção aprovada pelos países produtores, sua meta é evitar que os preços caiam abaixo dos US$ 28 o barril. Além disso, há uma série de matérias-primas derivadas do petróleo que são importadas — e cujos preços já foram majorados, aumentando os custos das indústrias que as utilizam (química, artigos de limpeza etc.). Finalmente, o outro foco inesperado de inflação surgiu com a seca, no Brasil e lá fora, que está destruindo colheitas e provocando alta acentuada nos preços de produtos básicos como o trigo e o milho, responsáveis por aumentos em cadeia para rações, carnes, massas.

Esperanças de mudar esse quadro? Só se o presidente da República se convencer da necessidade de medidas para aumentar a renda da população. Prioridade: criação de empregos. Ponto de partida: controle das importações das multinacionais, que estão destruindo empregos no Brasil.



Acompanhar a vida do site RSS 2.0 | Mapa do site | Administração | SPIP Esta obra está licenciada sob uma Licença CreativCommons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil