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  Opep fará reunião para impedir novas baixas nos preços

Jornal Folha de S.Paulo , domingo 7 de março de 1982


A Opep – Organização dos Países Exportadores de Petróleo decidiu ontem realizar uma reunião de emergência no próximo dia 19, em Viena, para adotar medidas que impeçam novas quedas dos preços do produto nos mercados mundiais. A violenta retração do consumo, - de até 40% nos países industrializados de 1974 a 1981 -, gerou imensos “excedentes”, detonando verdadeira guerra de preços entre os países produtores, nas últimas semanas. As cotações no mercado “spot” (onde os países importadores fazem suas compras, fora dos contratos a longo prazo firmados com os produtores), que chegaram a mais de 40 dólares em 1979, têm chegado a menos de 30 dólares o barril, sabendo-se que a Petrobrás realizou compras a 28 dólares nesse mercado livre, recentemente. A grande preocupação dos países da Opep, no entanto, é com a própria evolução dos preços nos contratos de longo prazo, que deveriam respeitar o preço-base de 34 dólares o barril, estabelecido em reuniões anteriores da organização: a partir de janeiro, vários países produtores passaram a oferecer "descontos" de um a dois dólares também sofre essas operações.

Com uma capacidade teórica de produção da ordem de 41 milhões de barris/dia, os países da Opep extraíram apenas 26,7 milhões de barris/dia em 1980, sofrendo nova e violenta queda em 81, para 22,5 milhões de barris, ou 16% a menos. Nestes primeiros meses do ano, a deterioração prosseguiu, e a produção caiu para a faixa dos 20 milhões de barris.

A situação traz problemas dramáticos para os países exportadores, que, desde a elevação dos preços do produto, em 1973, deram início a gigantescos programas de investimentos visando à industrialização e modernização de suas economias. Além da compra maciça de equipamentos para esses projetos desenvolvimentistas, iniciou-se um processo de importações também maciças de bens de consumo - de alimentos a eletrodomésticos - decorrentes da súbita elevação da renda das populações locais. Como resultado, os países da Opep também enfrentam hoje o problema de compromissos externos difíceis de honrar, ante a queda nas exportações de petróleo e nas receitas em dólares. Pressionadas por esses compromissos, as nações produtoras deram início a uma guerra de mercados, e de preços destruindo, na prática, a própria Opep, formada com o caráter de cartel exatamente para que os países fornecedores de petróleo valorizassem seu produto e impusessem preços aos países consumidores.

A reunião de Viena deverá resultar em cortes de produção, distribuídos equitativamente entre os diversos países, pondo fim à "guerra de preços". A Arábia Saudita reduzira sua produção de 8,5 para 7,5 milhões de barris/dia.



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