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Jornal Diário da Manhã , quarta-feira 2 de novembro de 1983


A grande mamata – o governo leiloou Cr$ 1 trilhão em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional, com correção cambial, no começo de outubro. As instituições financeiras e bancos compraram os títulos mesmo sem ter dinheiro, isto é, com dinheiro tomado emprestado, dia a dia no open market. Resultado: passou a haver imensa procura de empréstimos no open, e as taxas ameaçaram subir. O Banco Central, então, começou a injetar dinheiro, isto é, “emitir dinheiro”, dentro do open, para impedir que os juros subissem, e os bancos tivessem prejuízos (o que aconteceria se os juros subissem acima dos próprios rendimentos das ORTNs). Parece que o Banco Central errou na dose: a taxa média do custo do dinheiro no mês de outubro, no open, ficou em pouco mais de 9,5% . Como a correção cambial das ORTNs foi de 14,0%, somente em outubro, os bancos e demais instituições ganharam 4,5% com as ORTNs, “sem fazer nada”. Nome (despudorado) que o mercado financeiro dá aos recursos emprestados a juros baixos pelo Banco Central, isto é, pelo governo: “dinheiro social”, isto é, com fins sociais, beneficentes.

Menos mal – pelo segundo período consecutivo, o número de empregos na indústria paulista acusou (modestíssima) elevação de 0,04%, na terceira semana de outubro. Além de insignificante, o avanço foi atribuído a ligeiro aumento nas encomendas à indústria, para a formação de estoques para o comércio, com vistas às vendas de Natal, tendo portanto um caráter passageiro. No entanto, como aquele índice vinha caindo desde dezembro de 1980 – com a dispensa acumulada de 425 mil trabalhadores, ou 20% do total existente naquela época –, a brecada, mesmo temporária, traz algum alívio.

Ajuda externa – o setor de máquinas-ferramentas, como tornos, consideradas “máquinas de fazer outras máquinas”, geralmente é o que mais sofre em tempos de recessão, pelo motivo óbvio de que a suspensão de investimentos por parte de todas as indústrias reduz a compra de equipamentos. Nos EUA, o setor ficou de rastros, com a recessão de 81/82. Agora, com praticamente dez meses de recuperação da economia, os fabricantes de máquinas-ferramentas foram brindados com saltos nas encomendas em agosto e setembro (80% de avanço sobre 1982). Com a plena utilização da capacidade instalada da indústria dos EUA, podem sobrar encomendas para a indústria similar brasileira, onde a ociosidade hoje chega aos 80%: diante do estreitamento de seu mercado interno, as empresas norte-americanas vinham forçando as exportações e tomando clientes dos brasileiros (sobretudo no México).



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