Jornal Folha de S.Paulo , quinta-feira 17 de fevereiro de 1983
A Bolsa de Mercadorias de Nova York revelou ontem ter batido um recorde em janeiro último, com mais de 2,2 milhões de contratos no mercado futuro. Isto é, 27% acima do recorde anterior, de agosto de 1982.
O resultado mede, claramente, a intensa movimentação de commodities (matérias-primas, metais e produtos agrícolas) – e nas Bolsas de Valores dos países ricos -, iniciada no último trimestre de 1982 e intensificada desde o começo deste ano, e para a qual análises da “Folha”, em Tendências Internacionais têm procurado chamar a atenção.
O resultado reflete ainda, mais uma vez, a lentidão com que mesmo economistas tomam conhecimento de transformações ocorridas dentro da economia mundial. A reação das cotações internacionais de produtos primários, assim como a melhora da situação da economia norte-americana, eram previsíveis a partir do segundo semestre do ano passado.
Nessa época, o governo dos EUA, finalmente impressionado com as perspectivas de “quebradeira internacional”, abrandou a política monetária que vinha adotando, de juros altos e restrição no crédito, apontada como principal causa da recessão mundial a partir de 1981. Os efeitos graduais dessa mudança foram aparecendo a partir de outubro/ novembro – sem que a nova tendência fosse notada, em meio às notícias predominantemente pessimistas, ou sem que fossem “aceitos”, como importantes, pela dificuldade reinante em acreditar que a recuperação estivesse a caminho.