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  Quando a loucura acaba

Jornal Diário Popular , quinta-feira 13 de abril de 2000


Há poucas semanas, os milhões de sócios (acionistas) da Microsoft, a produtora de computadores que transformou seu criador, Bill Gates, no homem mais rico do mundo, eram donos de uma empresa que valia mais de 500 bilhões, ou mais de meio trilhão de dólares, nas Bolsas de Valores. Cada ação (‘‘pedaço’’ do capital da empresa, comprado pelos investidores) podia ser vendida por 120 dólares. Nos últimos dias, essas ações só são compradas e vendidas na faixa de 70 a 80 dólares, isto é, um preço 30% a 40% mais baixo, o que significa que o ‘‘valor’’ da empresa — obtido multiplicando-se o número de ações, ou ‘‘pedaços’’ do capital, pelo preço de cada ação nas Bolsas — também despencou 30% a 40%, para 350 a 280 bilhões de dólares, com nada menos de 150 a 220 bilhões de dólares simplesmente evaporando.

Era tudo falso, artificial: o valor fantástico, os preços fantásticos, os lucros fantásticos. Esse exemplo da Microsoft ajuda você a entender a análise, iniciada ontem nesta coluna, destinada a demonstrar que o mundo viveu uma fase de ‘‘loucura’’ nos últimos anos, alimentada por estatísticas falsas, enganosas, sobre trilhões de dólares gastos em compra e fusão de empresas, ou movimentados nas Bolsas e mercados financeiros mundiais. Era e é tudo papel, negócios no papel, contrato no papel, lucros no papel — que agora estão virando pó, com a volta à realidade — uma ‘‘guinada’’ que terá efeitos no Brasil e sua economia. Vale a pena conhecer algumas faces dessa loucura:

Trilhões falsos — Os mercados financeiros internacionais chegam a negociar 10 trilhões de dólares por dia. Isto não significa, porém, que 10 trilhões em dinheiro mudam de mãos todos os dias. São contratos para compra e venda de ações, ou compra e venda de dólares, ou outras operações mais sofisticadas, com vencimento para dentro de alguns dias, semanas, meses. Papel, só. Mas o falseamento das estatísticas não vem só daí. Há outra distorção, ainda mais grave: os bancos, corretoras, fundos, investidores podem assinar esses contratos sem ter dinheiro para pagar as compras combinadas, ou sem possuir as ações, ou dólares que estão vendendo. Como isso é possível? Basta eles fazerem um depósito, geralmente de apenas 10%, do valor do negócio — o que significa que, com 10 mil reais, um investidor pode fazer um negócio dez vezes maior, de 100 mil reais, ou um banco, com 10 milhões de reais, pode fazer um negócio de 100 milhões de reais...

Ciranda maluca — Há mais distorções ainda. Esses contratos de compra e venda de ações e dólares, freqüentemente, não precisam ficar guardados na gaveta, podem ser revendidos livremente no mercado, o que significa que seu valor vai aparecer nas estatísticas várias vezes, dando a impressão de mercados gigantescos, de trilhões de reais ou dólares. E é tudo papel, venda e revenda de papel. As quedas dos mercados de ações dos EUA vão mostrar o tamanho real da economia mundial. Uma oportunidade para o povo brasileiro redescobrir a verdadeira importância da economia brasileira no mundo — e impedir que o governo FHC continue a entregá-la a multinacionais, falsos gigantes criados pelas estatísticas falseadas.



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