Jornal Folha de S.Paulo , quarta-feira 17 de março de 1982
Não haverá nova “maxidesvalorização” do cruzeiro, como vem sendo insinuado em algumas áreas empresariais, a pretexto de que somente com essa medida as exportações voltariam a crescer. Ao contrário – diz Carlos Langoni, presidente do Banco Central –, a tendência é reduzir o ritmo de desvalorização do cruzeiro, voltando-se a calcular a correção cambial com base na diferença entre a inflação interna e a inflação mundial, critério temporariamente abandonado em 1981. Técnicos de outras áreas oficiais consideram “enganosos” os cálculos que têm sido apresentados na tentativa de demonstrar que o cruzeiro está “supervalorizado”, exigindo-se uma “máxi”. As contas corretas mostram que as desvalorizações e incentivos foram superiores ao nível necessário para estimular as exportações. Nas mesmas áreas oficiais, são contestadas as afirmações de que o temor de uma outra “máxi” vem impedindo as empresas de contratarem empréstimos externos. “Esse problema foi superado – afirmam – na virada do ano.”