quinta-feira 10 de janeiro de 1985
(continuação da 1ª página)
Com o decorrer dos dias, insinua-se a sensação de que a previsão dos 15% refletia antes um “temor generalizado” do que a existência de indícios concretos de uma explosão inflacionária iminente. Empresários dos setores comercial e industrial ouvidos ontem pela Folha admitiam uma realidade: as tabelas apresentadas por seus fornecedores não acusaram reajustes brutais que se esperava. A própria elevação de preços de produtos administrados – petróleo, cigarros, remédios, trigo, etc. – também vinha tendo seus efeitos exagerados, pelos analistas. Segundo cálculos do economista Seiti Hendo, da USP, responsável pela apuração do custo de vida em São Paulo, os reajustes de todos esses produtos, somados, representam uma alta de apenas 3,6% para aquele índice. Finalmente, um fato realmente novo, com o qual o próprio governo certamente não contava, poderá conter a taxa de inflação bem distante dos 15%: “a violenta queda, inicialmente no atacado (Ceasa), dos produtos hortifrutigranjeiros, depois das festas de fim de ano (tendência que as chuvas ainda poderão voltar a inverter mas que, de qualquer forma, já deu sua contribuição baixista). O revigoramento do CIP completa o quadro, abrandando as previsões para a inflação do mês. E aumentando a confusão dos analistas.