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  SOS governo e oposição

Jornal Diário Popular , segunda-feira 5 de junho de 2000


Classe média e povão, nesse capitalismo de araque, ficam excluídos

Não interessa qual é o partido. Se é governista ou de oposição. Chame-se PSDB ou PT, ou PPB ou PMDB, ou qualquer outra sigla, o fato é que o próprio futuro do Brasil e de seu povo está sendo comprometido por uma aberração monstruosa, que exige a união de todos para contê-la — enquanto é tempo. Conforme esta coluna começou a analisar ontem, o Brasil está vivendo um capitalismo às avessas, com os repetidos anúncios de empresas que “fecham” seu capital, isto é, forçam (diplomaticamente) seus milhares ou milhões de acionistas a venderem suas ações aos grupos controladores.

Vale dizer, o Brasil está admitindo uma aberração, que é exatamente o contrário do que ocorre no restante do mundo, em todos os países capitalistas. A primeira conseqüência grave — e para todo o sempre — desse fenômeno indecente é fácil de identificar: a renda e a propriedade vão ficando ainda mais concentradas em poucas mãos no País. Poucos grupos e famílias estão se apoderando de todas as principais fontes de produção e de renda gerados por toda a sociedade.

Classe média e povão, nesse capitalismo de araque, ficam excluídos dos chamados frutos do crescimento. O brasileiro está sendo condenado à pobreza, para todo o sempre. Este aspecto, sozinho, já justificaria a intervenção imediata do Congresso Nacional. Há muito mais, porém. Quando os grupos controladores são multinacionais, as distorções comprometedoras do futuro se acumulam. Primeira: quanto maior a fatia de capital da empresa possuída pelos “controladores”, obviamente maior será a fatia dos lucros a que eles terão direito. Ou, em bom português, a renda gerada pela sociedade brasileira não ficará no Brasil, não contribuirá para o aumento do consumo, da arrecadação, para todo o processo de crescimento do País. Uma repetição da época das colônias, em que o ouro ou pedras preciosas não enriqueciam o país explorado e seu povo, e sim a metrópole.

No caso da Telefônica, que na prática está extinguindo a antiga Telesp, a aberração supera qualquer limite da racionalidade, para dizer o mínimo. A segunda distorção é diretamente ligada à concentração dos lucros nas mãos dos controladores estrangeiros: o Brasil vai sofrer uma sangria insustentável de dólares, ano a ano, para todo o sempre, com a remessa maciça dos lucros às matrizes. O Brasil está sendo condenado a um “estrangulamento cambial” permanente — ou estrutural, como gostam de dizer os técnicos, o que significa que será condenado a crises periódicas e políticas recessivas sucessivas, com a adoção de medidas para reduzir a produção, com o objetivo de reduzir as importações — e poupar dólares para enviá-los à metrópole.

Queda na arrecadação do Imposto de Renda no Brasil (se os lucros forem taxados na metrópole) e aumento das importações, com a compra de peças e componentes lá fora, determinada pelas matrizes, são outras conseqüências óbvias desse processo intolerável. Só um cego não vê que essa política é um crime de lesa-pátria, comprometendo irremediavelmente o futuro do Brasil. SOS, Congresso Nacional.



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