O Brasil de Aloysio Biondi Obra Vida Projeto

  Dois irmãos - Parte 2
Entrevisa com Washington Novaes

Equipe de O Brasil de Aloysio Biondi

Entrevista realizada em 2004 por Aloisio Milani, Antonio Biondi e Rodrigo Savazoni.

O texto está dividido em quatro partes:
I – Primeiros Anos
II – A Ditadura
III – A Democracia
IV – Últimos Anos


II – A Ditadura

Foram 21 anos de luta contra o arbítrio, por meio do jornalismo. Anos intensos. Biondi e Novaes caminham juntos por diferentes redações. É o período no qual os jornalistas fundam os alicerces de um pensamento radicalmente humanista e nacionalista. São pioneiros na defesa do desenvolvimento sustentável e demonstram que é possível ser coerente diante da infâmia, fazendo jornalismo, sempre.

Vocês sempre próximos? Washington – Nessa época a gente ficou um pouco menos próximos porque, quando saí do Estado, fui trabalhar na Visão. Trabalhava muito, nessa época estava na direção.

Nós fomos nos reencontrar, na verdade, um pouco mais tarde, que foi quando o Cláudio Abramo foi para a Folha de S. Paulo, em 64, e aí eu fui ser editor-assistente do Cláudio. Eu, Pimenta Neves e o Alexandre Gambirasio.

Então, nós fomos pra lá e pouco tempo depois, quando eu já ia me mudar pro Rio, o Aloysio foi também, foi ser assistente do Cláudio na Folha. Então, nessa época, ele conviveu muito também com o Pimenta e com o Alexandre Gambirasio, que vocês podem procurar em São Paulo.

Aí, em 65 eu fui pro Rio. O Aloysio continuou em São Paulo e eu falava muito com ele nessa época por telefone, que eu era o chefe da sucursal da Folha no Rio e ele era editor-assistente em SP, quem cuidava mais do noticiário econômico era ele. E é até engraçado porque nessa época o Aloysio tinha uma certa admiração pelo Roberto Campos, do qual ele viria a tomar horror um pouco mais à frente. Mas ele achava o Roberto Campos uma boa cabeça, era a pessoa que falava muito do planejamento, e essa coisa.

Como foi a relação de vocês com o golpe militar? Washington – Foi em São Paulo ainda. Nessa época eu não tinha nenhuma militância política, nem o Aloysio. Nós não tínhamos proximidade com qualquer movimento político. Acho que a coisa mais perto que a gente tinha estado foi da primeira grande greve dos jornalistas em 1961, que foi uma greve salarial. E foi uma greve curiosa, porque uma grande parte dos jornalistas não aderiu à greve, e os que aderimos à greve resolvemos usar uma estratégia que foi impedir a saída física dos jornais, bloquear. Não deixar sair o jornal.

Os jornais foram feitos, mas nós fizemos piquete na frente do Estado, na frente da Folha, na frente da Última Hora. Isso foi uma coisa um pouco nervosa, ameaça da polícia de dar porrada, e tal. Acabaram não batendo e com isso os caminhões de entrega não puderam sair. E de manhã nós fomos ao aeroporto e também confiscamos os jornais de fora que chegaram. E também nessa época conseguimos que o pessoal de televisão não tivesse notícia para dar, porque eles se baseavam muito no que estava nos jornais.

Então foi uma coisa interessante, porque São Paulo ficou três dias sem notícia, ficou sexta, sábado e domingo sem notícia. Nem de jornal, nem de televisão, nem de rádio, nem nada. E essa é uma coisa inusitada. Uma cidade que já tinha 4 milhões de pessoas, sem nenhuma notícia até segunda-feira à tarde, quando foi julgado o dissídio pelo Tribunal de Trabalho e nós ganhamos. Então voltamos a trabalhar.

Mas eu fiz piquete na porta da Folha e depois que ganhamos na porta da Folha pediram reforço nos Associados, que era na Rua 7 de Abril. Fomos para lá também. Teve um momento que deu a sensação de que a gente ia levar muita porrada. A polícia chegou de cassetete já levantado, e toca cantar o Hino Nacional, aquelas coisas, até que a polícia desistiu de bater e conseguimos manter bloqueados.

Aloysio estava nessa também? Washington – Estava. Bom, mas voltando ao Rio. Em 67, fui convidado para dirigir a redação da Visão. Até ali eu era secretário, acumulava a Folha com a Visão e era secretário da redação. Então eu convidei o Aloysio para ser editor de economia e ele foi. Lá trabalhava o Ziraldo, que era o editor gráfico, o Zuenir Ventura, o Cláudio Bueno Rocha, que já morreu, a Norma Pereira Rego, que já morreu, o Henrique Coutinho, que já morreu (ri), a Tetê Morais, diretora de cinema, que fez esse filme Terra para Rose, era de lá também, a Rosisca Ribeiro, que hoje tem uma atuação importante, nessa área de mulher, pessoa muito inteligente.

Logo no primeiro ano, o Aloysio ganhou um prêmio Esso, com o trabalho que ele fez sobre a questão de reflorestamento no Brasil.

E era editor de economia Washington - Era editor de economia. Quando houve a mudança de governo, em 67, que saiu o Castello Branco, e, com ele, Roberto Campos, Bulhões e tal, o Delfim assumiu o Ministério da Fazenda. Nessa, era assessor do Delfim o Paulo Graciano, filho do pintor, do Clóvis Graciano, que tinha trabalhado com o Aloysio na revista Direção.

Então, e eu também conhecia muito o Gustavo Silveira, que era assessor de imprensa do Delfim. O Delfim até tinha me convidado pra ser assessor dele por indicação do Frias, que era dono da Folha, mas eu não fui.

E aí o Aloysio começou a imprimir na editoria de economia da Visão uma visão bastante crítica da política econômica do governo, principalmente uma abertura indiscriminada das importações que o Delfim estava promovendo.

Como era isso? Washington - Toda semana tinha algum artigo criticando a política do Delfim e isso foi culminar, no começo de 68, quando o Aloysio escreveu um artigo muito forte na Visão, que tinha várias páginas e o título, eu me lembro até hoje, era “Esse rombo de 800 milhões de dólares”. O artigo dizia que tinha havido um rombo na balança comercial em 68 de 800 milhões de dólares, que naquela época era muito dinheiro, e que isso se devia a essa política indiscriminada de abertura para importações, principalmente de importações de produtos supérfluos.

O Brasil estava importando tudo quanto era bugiganga, tudo quanto era porcaria, ração para cachorro, ração para gato, colar de não sei o que, pena de avestruz, e coisas assim. E aí um dia o Delfim nos chamou para ir conversar com ele. Fomos lá o Aloysio e eu, e estava o ministro e o Gustavo Silveira, assessor de imprensa dele.

E começou uma discussão onde o Delfim dizia que o artigo do Aloysio estava errado e que a nossa posição estava errada. Que nós não sabíamos fazer conta e havia o que ele dizia “dupla contagem”, que a gente estava contando duas vezes a mesma coisa, que aquilo estava errado, e a discussão foi azedando, azedando, azedando, azedando, azedando, e ela terminou aos gritos, dos dois lados – o Delfim de um lado, o Aloysio e eu do outro. Ele chamando a gente de incompetente, a gente chamando ele de incompetente...

Essa foi a primeira vez que ele deu uma resposta assim? Washington - Foi a primeira.

Ele tentou fazer o que deveria ser um padrão na época, né? Uma espécie de cooptação, chama para conversar... Washington – A Visão estava numa posição muito forte. Em 67 tínhamos feito pela primeira vez uma edição chamada “Quem é Quem na Economia”, que era um balanço da economia brasileira, setor por setor, isso eu tenho aí um exemplar e posso te mostrar.

Então, o “Quem é Quem na Economia” foi uma edição enorme, centenas de páginas, e o Aloysio que coordenou esse trabalho todo, e foi uma coisa de uma enorme repercussão.

Paulo Graciano trabalhou nisso. Teve um outro assessor do Delfim, Eduardo Pereira de Carvalho – que hoje é o presidente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica) – que trabalhou. A gente tinha até uma boa relação lá, mas essa coisa azedou.

Azedou de vez, e aí o Aloysio foi aumentando o tom na coisa. Ao mesmo tempo aconteceu aquele episódio da morte do Edson Luís. Isso foi uma coisa que nos marcou muito na época. Porque a redação da Visão era ali ao lado do restaurante Calabouço, onde foi a morte dele. Eu vi a morte dele da janela.

Nós estávamos na janela olhando, tinha uma pequena manifestação de estudantes – mas isso tinha todo dia –, de repente, pela Marechal Câmara, chegou a polícia, tomou posição, e o pessoal aqui foi enraivecendo, e gritando cada vez mais, e de repente abriram fogo ali do lado de lá e nós vimos o menino, o Edson, cair ali.

Aí descemos correndo, eu me lembro que desci pela escada, até junto com o Zuenir e o Ziraldo. E nós quando chegamos lá embaixo, no Calabouço, os estudantes já vinham saindo carregando o cadáver do Edson. Estava morto. Os estudantes já estavam carregando o corpo dele e levando para a Assembléia Legislativa.

O Rio, nessa época, era diferente de São Paulo, porque tinha uma resistência mais organizada à Ditadura. Primeiro porque o Partido Comunista era muito mais organizado no Rio nessa época, muito mais forte do que em São Paulo. E no movimento estudantil tinha já várias tendências. Além do Partidão, tinha a dissidência do Partidão, que era o Vladimir Palmeira, o Marcos Medeiros, esse pessoal todo da liderança estudantil.

Tinha já também alguma coisa de PC do B no movimento estudantil e tinha o pessoal que vinha da AP, que era aliado à Igreja, principalmente na PUC. Então já existia esse movimento muito forte dos estudantes, já tinha havido em 1966 uma passeata forte, no centro do Rio de Janeiro, dos estudantes, que tinha sido reprimida até com violência pela polícia. Mas naquele momento ali houve uma exaltação muito grande.

E o pessoal pegou o corpo do Edson Luiz e levou para a Assembléia Legislativa, lá na Cinelândia, para fazer o velório dele e organizar o sepultamento.

E vocês? Washington - E nós fomos para lá. Eu, o Aloysio, o Zuenir, o Ziraldo. Fomos todos para lá, passamos a noite lá. E nós fomos todos muito atingidos. Foi uma coisa literalmente de corpo presente, da morte, vendo aquela coisa toda ali. E no dia seguinte teve o enterro dele, houve antes um comício na frente da Assembléia Legislativa. Nós estávamos lá, e depois saímos dali a pé para o Cemitério São João Batista, em Botafogo, carregando o corpo dele. Já com os estudantes gritando palavras de ordem.

Ali eu ouvi pela primeira vez palavras de ordem do pessoal que já tinha uma opção pela luta armada. “Só a luta armada derruba a Ditadura/Só a luta armada derruba a Ditadura”. Outros gritavam: “Morreu um estudante, podia ser um filho seu”. Tinha muita gente nas janelas, nas sacadas.. E aquilo foi uma coisa muito forte para nós todos.

Na edição seguinte da Visão, eu escrevi uma matéria que o título era “O assassinato como ele foi”. O pessoal começava a dizer que não tinha sido bem assim, que os próprios estudantes tinham matado o Edson Luiz para criar uma vítima, e essa coisa. Então eu escrevi aquela matéria. Também fui a um programa de televisão em que estava o Gama e Silva (Luís Antônio da Gama e Silva, o redator do Ato Institucional nº 5), que era Ministro da Justiça.

Isso me custaria caro, porque o Gama e Silva começou a dizer essas coisa no programa, e falar que a missa de sétimo dia do Edson Luiz tinha sido uma coisa organizada, e os padres fazendo passeata.

E eu falei: “Se o senhor chama corredor polonês de passeata...”, porque os padres ficaram num corredor polonês e apanharam para proteger os estudantes. E aí ele começou a querer negar e eu comecei a dizer isso, que eu tinha visto a morte do Edson Luiz, então fui convocado a depor por um promotor que estava fazendo um inquérito, e também no inquérito da PM.

E a PM queria que eu mudasse aquilo, não queria que eu dissesse aquilo, que tinha visto ele ser morto por um PM.. Isso foi uma coisa que durou anos e me custou muito caro.

Na passeata, vocês estavam como jornalistas, como jovens como brasileiros... Washington – Como tudo. Todas as coisas. Como brasileiros, como jovens, como jornalistas, como indignados.

Os manifestantes juntos? Washington – É. Essa história foi resultar em algumas coisas, inclusive foi aí que foram nascer as grandes passeatas no Rio de Janeiro, a Passeata dos Cem Mil, e isso se propagou para São Paulo, começou a haver coisas em São Paulo também. Houve aquele episódio da invasão da Maria Antônia (rua de São Paulo onde estudantes da Universidade Mackenzie e da USP entraram em conflito), da invasão do Mackenzie, do CCC (Comando de Caça aos Comunistas) e todas essas coisas.

Mas ali no Rio, o que acabou acontecendo foi que a Visão mudou de dono nesse meio tempo e assumiu a direção, como dono da revista, o Saíd Farah, que dez anos depois viria a ser secretário de Comunicação Social do Figueiredo, do último presidente militar.

Isso foi ação da Ditadura, por causa da equipe combativa?

Washington – Possivelmente. Não sei, não posso afirmar. Mas o fato é que a revista tinha uma posição muito independente, inclusive, lembrando agora, nós tínhamos publicado na revista o primeiro documento da constituição da Frente Ampla, que juntava Lacerda, Juscelino e Jango. Foi um texto do Lacerda, dizendo que criava uma frente ampla, que exigia a redemocratização do país, e essa coisa foi um auê. Você imagina juntar esses três... Tem aí o livro do Cony agora que revive a tese de que os três foram assassinados. Também publicamos alguns textos muito fortes, eu me lembro que teve um texto do Glauber Rocha sobre o Cinema Novo e a política no Brasil, teve um outro texto muito bonito do Antônio Callado, do escritor, sobre as relações da literatura com a política. A revista era muito influente.

De repente, chega o Saíd Farah. Ele ficava em São Paulo e um dia me pediu para ir lá. Começou a dizer que a revista não podia continuar daquele jeito, que a revista estava engajada e perdendo a característica dela de uma revista dos homens de negócio, e assim por diante, que era preciso ter uma coisa mais equilibrada.

Então conversei. Disse: “Tudo bem, vamos tentar equilibrar essa coisa”. E voltei para o Rio. Aí, no dia seguinte, recebi um memorando dele dizendo que a partir daquela data a orientação da redação seria dada por um conselho editorial do qual fariam parte ele, o Luiz Alberto Bahia, que era o colunista político, o Otávio Gouveia de Bulhões, que tinha sido ministro da Fazenda da Ditadura, e o Jorge Leão Teixeira, que já tinha sido diretor da revista e eu. Então, na melhor das hipóteses, eu ia perder de 4 a 1, alguma coisa assim.

Eu disse a ele que não aceitava aquela decisão. Ele disse: “se você não aceita, pede demissão”. Eu disse: “não, eu peço demissão da direção”. Volto a ser redator, que o meu contrato é para ser redator. E ele, então, para criar caso mesmo, disse: “então você está transferido para São Paulo”. E eu fui para São Paulo, tinha um contrato de trabalho de sete horas por dia e ficava de uma às oito sozinho numa sala, ninguém me dava nada para fazer. Ficava sete horas por dia ali, à toa.

E ele começou a demitir o pessoal do Rio. Demitiu o Aloysio, demitiu a Tetê, e foi ser diretor da redação de novo o Hernane Tavares de Sá, que já tinha sido o primeiro diretor.

Como vocês ficaram, depois disso? Washington – O nosso engajamento político foi crescendo. O Aloysio foi convidado para fazer uma revista econômica para um grupo de seguros. E ele foi fazer essa revista, era o diretor. Só que ele imediatamente mudou a natureza da revista. Em vez de uma revista de seguros, foi fazer uma revista econômica mesmo e muito contundente. Me chamou para ser chefe da redação e eu fui acumulando com o Correio da Manhã.

Eu tinha ido para o Correio da Manhã como chefe da produção editorial. Em 68. A revista chamava Fator. Aí eu ia de manhã na Fator e à tarde e à noite no Correio. Mas eu fiquei muito pouco tempo no Correio, porque eu queria fazer uma coisa muito engajada mesmo, muito forte, dessas coisas que estavam acontecendo, das passeatas, e havia resistência da secretaria do jornal.

Tinha um grupo que nessa época era muito desbundado, já meio hippie, meio descrente, então eles achavam que isso era bobagem. Levavam tudo na sacanagem, na gozação. Isso foi criando uma situação e eu saí do Correio.

E a Fator? Washington - Nós produzimos um número 0. Ficou tão forte que acabamos botando ele na banca. Era uma edição com o seguinte título: “A suave invasão”, uma imagem do Delfim abrindo a economia indiscriminadamente. A capa era o Joel Barcellos, aquele ator, com a boca entupida de dólar. Era uma capa muito forte.

Para fazer essa capa, nós fizemos um trabalho de doido. Nós conseguimos os mapas de importação da Cacex, que era a carteira de comércio exterior. Mas isso vinha importação por importação. Então, centenas, sei lá, milhares de noites assim: “Pena de avestruz” – aí abria uma ficha. “Pena de avestruz, tantos dólares”. “Ração para cachorro” – “Ração para cachorro, tantos dólares”. “Pérolas cultivadas, não sei quantos dólares”.

Pegamos as importações de um ano inteiro, uma por uma. Ficávamos noites e noites e noites e noites fazendo isso para depois somar e aí tinha a matéria-prima para um artigo para provar aquilo: que era um rombo desnecessário por uma política incompetente do Delfim. Essa revista causou um impacto enorme, inclusive porque para muita gente foi a primeira vez que se viu usar gráficos e quadros com grande competência.

Aquela coisa do Aloysio, de fazer um quadro, com um título: “Veja que não sei o que” e remete para outro quadro, com o uso de números e estatísticas. Já no segundo número começou a encrenca com o dono da revista, que ficou muito assustado com aquele rombo, e esse atrito foi aumentando. Era para ser uma coisa apenas demonstrativa para as agências de publicidade, mas ficou tão bom que resolvemos botar na banca.

Quem trabalhou nesse projeto? Washington - Na Fator? Éramos muito poucos, uns três ou quatro. Tinha um rapaz chamado Serginho, que era amigo nosso, que tinha sido estagiário na Visão e o Aloysio levou para lá. A gente não sabia, o Serginho também já estava na barra pesada, na luta armada.

Serginho do que? Washington – Antônio Sérgio, mas eu não lembro do sobrenome dele.

Então esse foi praticamente um projeto de vocês dois? Washington – Eram umas três ou quatro pessoas, uma meia-dúzia no máximo. E tinha também alguns colaboradores, alguns free-lancers. Mas a redação mesmo era o Aloysio e eu que fazíamos. Aí, acabou a Fator. O Aloysio voltou para São Paulo. Se não me engano, foi trabalhar na Gazeta Mercantil. Isso em 1968.

Antes de ir para a Veja? Washington – Foi antes dele ir para a Veja. Eu fiquei no Rio e tinha inventado de fazer uma outra revista com o Jânio de Freitas, o Zé Augusto Ribeiro e o Flávio Tavares, que nós não sabíamos que já estava na luta armada também.

Aí, estamos ali preparando a revista – eu tinha proposto o nome Direta, ia ser uma revista eminentemente política – quando veio o AI-5 e inviabilizou tudo. Baixaram o pau, prenderam todo mundo. Eu fui preso a primeira vez. Fiquei preso dois dias. Mas eu não conseguia arrumar trabalho mais no Rio de Janeiro, estava tudo bloqueado. Cheguei a me candidatar a trabalhar como redator de noticiário de uma rádio de Niterói, de madrugada, e não fui aceito.

Então, estava numa situação complicada quando, acho que foi o Zuenir que fez uma embaixada nessa história e eu fui convidado a ir trabalhar em São Paulo, na Veja, ser editor de Investimentos. Nessa época, a Veja tinha sido lançada fazia pouco tempo e as páginas amarelas eram sobre investimentos. Eu fui lá para fazer essas páginas.

Eu continuava morando no Rio mas ia para São Paulo na segunda de manhã e voltava na sexta-feira à noite. Assim eu passei alguns meses lá, até que o Samuel Wainer me convidou para chefiar a redação do Última Hora do Rio. E eu então indiquei para o Mino Carta o Aloysio, para ir lá para a Veja. O Aloysio foi para a Veja, para esse lugar que eu estava deixando. Aí ficamos um pouco distantes de novo.

Eu fiquei um pouco na Última Hora, não cheguei a ficar um ano. Em 70, eu fui para o Correio da Manhã, como produtor editorial, chefe da produção. Logo em seguida passei para editor nacional e o Reinaldo Jardim me chamou um dia porque queria fazer um caderno econômico diário. Isso era uma segunda-feira. Pediu para eu fazer um projeto.

Eu falei: “bom, eu vou pensar”. Mas o Reinaldo é assim. Falou: “Você tem até quarta-feira para me trazer o projeto”. Aí, na quarta-feira eu levei o projeto e ele falou: “vamos começar domingo”. Eu falei: “como começar domingo? Não tem ninguém aí para fazer isso”. Ele falou: “pode escolher quem você quiser na redação”. Então eu escolhi algumas pessoas. Algumas delas até curiosas. Tinha uma moça que fazia horóscopo, a Ana Maria Mandim, mas eu não sabia também, a Ana Maria já estava na luta armada. Era do PC do B (risos)...

Mas começamos a fazer o caderno, e o caderno começou a ter um êxito muito grande, e me deu uma certa força. Então pedi que contratassem mais algumas pessoas e propus que eu precisava contratar o Aloysio. Eles toparam, e o Aloysio foi para o Diretor Econômico, que era o nome do caderno.

Na Veja e no Diretor Econômico, qual era a proposta de jornalismo? Washington – Era o jornalismo da informação econômica e, no que era possível, a gente ia botando as orientações da gente. Até o Diretor Econômico.

Teve censura prévia? Washington – Não tinha censura prévia, mas tinha censura. Você recebia comunicados da Polícia Federal: não pode publicar isso, não pode publicar aquilo, não pode fazer isso, não pode fazer aquilo.

Vocês chegaram a ter conversas sobre o exercício do jornalismo num contexto como esse? Washington – O tempo todo.

É que é interessante retomar as idéias desse período, as coisas que fervilhavam na cabeça de vocês. Washington – O que fervilhava na cabeça da gente, principalmente nessa área econômica, em que, a partir da Visão, a gente estava mergulhado em uma posição, digamos, desenvolvimentista, nacionalista, que começava, principalmente por influência do Aloysio, a mexer um pouco nessa promiscuidade entre os donos da atividade econômica e os governos.

Eu, por exemplo, tinha, na época da Visão, antes de assumir a direção.. Não, já foi quando o Aloysio estava lá, já era editor econômico da revista. Eu era diretor, consegui acesso a um relatório desse cara, de quem hoje tenho horror, que é o Pratini de Morais.

O Pratini era assessor do ministro da Indústria e Comércio, que era o Daniel Farah. E o Pratini tinha feito um relatório mostrando o seguinte: que o governo brasileiro tinha encomendado um estudo sobre a siderurgia brasileira para essa consultoria internacional que existe até hoje, a Booz Allen Hamilton, que é uma das grandes consultorias internacionais. E a Booz Allen fez um relatório dizendo que o mercado não tinha muita demanda, nem interna nem externa, e com isso recomendando uma expansão muito suave da siderurgia brasileira.

O relatório mostrava que, principalmente na parte de demanda interna, eles tinham se baseado em anos de profunda recessão no Brasil, anos em que a demanda foi muito fraca. E então recomendavam essa posição cautelosa, tímida. E o resultado disso é que a siderurgia brasileira quase não tinha se expandido e de repente não tinha produção suficiente para atender à demanda interna e externa.

Aí eu consegui uma cópia disso e produzi uma matéria para a Visão. E ela não foi publicada, porque um cara que era colaborador da revista esteve lá, viu essa matéria e avisou o então presidente do BNDES, José Garrido Torres, que por sua vez falou com o Roberto Campos e acionaram a censura e proibiram de publicar.

Na época em que o Aloysio era editor de economia, teve um caso ainda mais gritante, que foi o seguinte: por estranho que pareça, um dia vai lá na revista um cara que era da Usaid (United Sates Agency for International Depelovment), a entidade que cuidava de cooperação internacional dos Estados Unidos. Esse cara, como homem da Usaid, ficava no Ministério do Planejamento, onde estava ainda o Roberto Campos. Foi antes da posse do Delfim – finalzinho do Roberto Campos.

Nessa época, como editor de Economia, o Aloysio já tinha restrições ao Roberto Campos? Sim. Aí esse cara levou lá uma documentação. Na época tinha uma grande empresa de siderurgia que tinha grandes negócios no Brasil, a Hannah Corporation. Na área de mineração ela tinha grandes interesses. Era um projeto em que a Hannah, que tinha minas em Minas Gerais, a Mineração Águas Claras, propunha ao governo brasileiro que construísse um ramal ferroviário ligando a Central do Brasil nas minas dela e um outro ramal ligando a Central do Brasil ao Porto de Sepetiba, no Rio de Janeiro, para poder exportar. E queria que o governo fizesse esses dois investimentos.

O cara contou isso para vocês? Washington – Levou a documentação para a gente. E em troca a Hannah daria o quê? Não daria nada. Ainda pedia uma tarifa subsidiada na Central do Brasil. Para não aumentar o seu prejuízo, pedia que o governo aumentasse a tarifa dos outros usuários, entre os quais concorrentes dela no Brasil, como Volta Redonda, que na época era estatal. Era um escândalo! O governo investia e ainda arruinava a Central do Brasil, dava tarifa...

Tudo isso via Usaid? Washington – Era um acordo que a Hannah tinha levado para o governo brasileiro, estava lá no Ministério do Planejamento e esse cara ficou escandalizado, esse cara da Usaid.

Mas não era uma contradição gigantesca o cara da Usaid levar? Washington – Mas é que era tão escandaloso. Devia ser um cara que estava na Usaid, querendo fazer cooperação, e de repente viu para o que estava sendo usado, que era fazer altos negócios. Tentamos fazer essa matéria e publicar, e de novo não conseguimos. A censura teve informação. Não, essa aí nós publicamos. Conseguimos publicar. Alguns dias depois, saiu uma nota no Jornal do Brasil, naquela coluna Informe JB, onde dizia o seguinte: que uma revista brasileira tinha levantado suspeição sobre um projeto de transporte de minério de ferro da baía de Sepetiba, de construção de ramais ferroviários, mas que esse projeto tinha o aval, no Brasil, de pessoas que estavam acima de qualquer suspeita. Entre elas, os ministros Roberto Campos e Otávio Gouveia de Bulhões, ministro da Fazenda, mais o Trajano Augusto de Azevedo Antunes, que era associado à Hannah Corporation também. Então, como esses senhores estavam acima de qualquer suspeita, o Brasil não teria nenhum prejuízo com isso. Isso foi feito, acabou acontecendo.

Bom, mas voltando Washington - Ao Correio da Manhã. Como o Diretor Econômico estava tendo muito êxito, era o único caderno econômico diário na imprensa do Rio de Janeiro, fui autorizado a contratar algumas pessoas e levei o Aloysio para lá, como editor de mercado de capitais e comércio exterior.

Então ele ficou um pouquinho na Veja e foi para o Correio da Manhã? Na área de comércio exterior já trabalhava um jornalista muito competente, que fez uma carreira bonita, que é o Flávio Pinheiro. Um que depois foi editor no Jornal do Brasil, o Roberto Mello. E o Diretor Econômico foi crescendo, crescendo, e o Aloysio começou a jogar pesado. Principalmente nessa área de mercado de capitais.

O Flávio Pinheiro estava na luta armada já ou não (risos)? Não, o Flávio não. Mas a Ana Maria, que fazia horóscopo, estava e trabalhava com o Aloysio (risos). E tinha outras pessoas.

Tinha muitas pessoas próximas de vocês que estavam na luta armada. Vocês conversavam sobre isso? Mas a gente não sabia exatamente onde eles estavam. Tinha uma outra moça, chamada Marilene, estava no Partidão, tinha várias coisas.

Mas o que era, para vocês, a luta armada nessa época? Qual era a opinião de vocês? Bom, eu não era a favor. Achava que não havia a menor condição política e social para a luta armada. Tanto que na questão dos estudantes, já em 68.

Só um parêntese na história: tinha havido um episódio em que eu tomei ali uma posição. Eu tinha uma posição estudantil, eu ia a tudo quanto era estréia, tudo quanto era discussão de intelectuais. Aí veio a morte do Edson Luís e em cima do episódio da morte do Edson Luís veio a Passeata dos Cem Mil. Na Passeata dos Cem Mil foi formada uma comissão para ir discutir com o presidente da República as condições para um acordo.

Foi uma comissão que era o Hélio Pellegrino, o Edson Batista, que era padre do colégio São Vicente e hoje é psicanalista, mas tinha os estudantes. Um deles era o Franklin Martins, que hoje é comentarista da Globo (atual ministro da secretaria de Comunicação Social da Presidência da República). Tinha outros também.

Nessa reunião, os estudantes começaram a encostar o Costa e Silva na parede, porque começaram a exigir a libertação de todos os presos políticos. E o Costa e Silva começou a dizer que não podia ser assim, o governo não podia ser encostado na parede. Que podia negociar algumas coisas, mas aquilo como condição única e prévia o governo não podia aceitar. Chegou um momento em que se deu o impasse, o Costa e Silva dizendo que não aceitava ser acuado contra a parede, e os estudantes dizendo que então não tinha conversa, e a coisa se rompeu ali.

O que, a meu ver, era um erro político: você radicalizava o movimento e era muito difícil que a sociedade acompanhasse. Seria ficar mais isolado. E tanto isso é verdade que aí convocaram uma segunda passeata, que em vez de ter 100 mil teve 30 mil. Ou seja, houve um esvaziamento enorme. Nós não sabíamos que no movimento estudantil havia várias facções que já tinham optado pela luta armada, estavam querendo radicalizar mesmo. E a gente querendo ampliar para a sociedade o movimento.

Aí houve um episódio em que foi preso em Copacabana, num sábado à tarde, o Vladimir Palmeira, que estava sendo procurado por eles. Quando prenderam o Vladimir Palmeira, o movimento estudantil programou uma terceira passeata que seria na segunda ou na terça-feira. E era, do ponto de vista de você ter apoio social, um erro enorme porque o exército anunciou que ia ocupar o centro da cidade, que não haveria essa terceira passeata. Então, como é que você ia enfrentar um exército ocupando o centro da cidade.

Porque, até ali, nas passeatas a polícia ia desarmada, só com cassetete. Mas o exército armado era outra coisa. Eu me lembro que fui com o Hélio Pelegrino, mais o Jânio de Freitas, fomos lá no comando estudantil, que funcionava na rua das Palmeiras, na faculdade de Ciências Sociais e quem estava na liderança com a prisão do Vladimir era o Marcos Medeiros, que já morreu. Depois, virou cineasta.

Chegamos lá, estava o Marcos, muito posudo, com os pés em cima da mesa, camisa aberta, um medalhão enorme assim no peito. Começamos a falar que a gente achava um erro insistir naquela passeata, que o exército já tinha anunciado que ia ocupar o centro, que não tínhamos vencer uma coisa dessa, que era melhor recuar e tentar reorganizar a coisa. E ele dizia que não, que ia fazer a passeata de qualquer jeito. E daí disse: “Cês querem saber de uma coisa, caguei pro exército!” Eu me lembro que disse pra ele: “Olha, Marcos, você não pode cagar pro exército. Não dá pra cagar pro exército. O exército é uma realidade, cê tem que tomar em conta o que que o seu adversário vai fazer. Cê não pode cagar, não”. E ele disse: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Aquela coisa da música do Vandré. E citava o Lênin.

Se é para entrar nessas citações a gente pode citar também o Trotsky, que dizia que você tem que conhecer seu inimigo melhor do que a si mesmo. Ele falou: “Caguei pro Trotsky”.

Nós fomos embora. Na quarta-feira eles tentaram fazer a passeata e nem chegaram no centro. O exército ocupou o centro, cercou tudo, e revistava todos os ônibus que ia pro centro e foi tirando todos os estudantes e não teve nem com quem fazer a passeata. Foi um fracasso! A partir daí, o movimento, em termos de movimento de massa, se esgotou. E ficaram os grupos que estavam dispostos a ir pro pau com o governo, começaram a fazer ações isoladas, tocar fogo em carro de polícia, até o AI-5, quando tudo mudou.

Você se lembra de o Aloysio ter participado de coisas similares a essa? Ele ia com você? Vocês conversavam sobre isso? Washington – Nós íamos em assembléias de intelectuais, que era mais a nossa área, de jornalistas. Me lembro que tivemos uma discussão com um alto dirigente do partidão, que queria nos levar para o partido e terminou com um bate-boca enorme, todo mundo gritando. (risos) O cara começou a falar um montão de coisas que não correspondiam aos fatos, e a gente dizia, não foi assim, e sempre engrandecendo as coisas.

Voltando de novo Washington – Pois é, voltando ao Correio da Manhã, o Aloysio começou a ir fundo na questão do noticiário do mercado de capitais, mostrando as sacanagens todas e houve um momento – não me lembro se houve um acordo para fazer isso ou simplesmente ele que deu o destaque – aí houve um boom na bolsa de valores no Rio de Janeiro, negócio especulativo, e teve um dia que foi negociado um volume enorme de ações de uma empresa chamada Merposa. E depois se revelou no Correio da Manhã que era uma invenção. Merposa era Merda em Pó S.A.

Lembro dele contando essa história… Washington – Agora eu não me lembro se foi ele que inventou ou se ele que deu repercussão a essa história.

Mas você se lembra de quem vendia essas ações? Elas existiam? Washinton – Elas existiam. Alguém começou a gritar: “Merposa! Merposa!” E tal. E começou a vender Merposa. (mais risos) …enfim, foi indo a mesma trajetória, de ir cada vez mais fundo, e essa coisa. Aí no meio disso daí houve algumas coisas complicadas. A primeira delas, foi a seguinte: um dia os donos do jornal me chamaram para dizer que estava indo muito bem. Que o Diretor Econômico tinha uma repercussão enorme, que dava prestígio ao jornal. E fazia vender publicidade e essa coisa. E eles me propunham em transformar o Diretor Econômico em um jornal separado. E isso significava uma coisa muito complicada que era levar à falência o Correio da Manhã, que tinha se transformado em um símbolo de resistência à ditadura. Então, colaborar para isso era uma coisa muito ruim. E eu disse que ia pensar no assunto.

Fiquei remoendo essa história. O Aloysio sabia disso aí. Nesse meio tempo, entrou para o Correio da Manhã, o Ari de Carvalho, que tinha vindo do Sul, porque ele era o cara do Última Hora em Porto Alegre em 64. E foi o cara que fez todo o jogo da ditadura, entregou os arquivos do jornal para identificarem pessoas. E o Ari veio e começou a fazer esse jogo de esvaziar o Correio da Manhã. Porque ele queria que eles comprassem a Última Hora para ele dirigir. Tive alguns atritos em função disso aí. As coisas começaram a se complicar também. Estamos no final de 1971. Porque começou a ficar bastante ostensivo o trabalho político que estava na luta armada, fora do jornal. Gente que era preso, era isso.

Explique melhor Washington – Eu tenho a impressão que os donos do jornal, que naquela época eram os irmãos Alencar, (Marcelo – que acabou sendo governador do Rio –, o Mário e o Maurício – que era um grande empresário) recebiam informações do serviço secreto. Umas duas ou três vezes eu fui convocado a ir ao Estado Maior das Forças Armadas, outra no Comando Regional, outra vez na Polícia Federal. Aí vinham aqueles papos, se eu era comunista, o que eu fazia, o que eu não fazia.

Eu nunca pertenci a nenhum partido político, nunca pertencia formalmente a nenhuma organização, mas dava para ver que o cerco estava se fechando. Até que quando chegou no começo de dezembro de 1971 eu recebi uma comunicação, dizendo que eu estava demitido. Logo em seguida demitiram o Aloysio e mais uma porção de gente.

Você lembra de situações em que o Aloysio tenha sido convocado nesse período? Ele chegou a ser convocado? Washington – Acho que não. Acho que o Aloysio tinha uma militância política menor. Ele era concentrado mesmo no conteúdo, no que fazia. Fomos demitidos no final de 1971, eu voltei pra Folha, para de novo chefiar a sucursal da Folha, e o Aloysio voltou para São Paulo. Eu trabalhei pra Folha um período e o Aloysio não voltou mais pro Rio. Eu tenho a impressão, mas não é nada certo isso, que o Aloysio teve uma passagem breve pelo Jornal do Commercio.

Vocês moravam em que lugar no Rio? Washington – A partir de 1966 eu morei no Leblon, na Gávea e depois em Santa Teresa. O Aloysio morou em Copacabana, Leblon. Mas eu acho que ele teve uma passagem pelo Jornal do Commercio e depois voltou para São Paulo. Foi mais ou menos nessa época que ele começou a namorar a Ângela e eu me lembro de ter ido ao casamento em 1974. Virgínia, minha mulher, estava grávida do Pedro. Nos vimos muito pouco nesse período, até que ele foi dirigir o DCI e a Visão e me convidou para fazer uma coluna na Visão, não tenho certeza mas acho que foi em 1988, 1989 e foi até 1992. Antes disso, tem a vinda dele pra cá. Em 1982, eu queria sair do Rio de Janeiro. Estava na TV Globo desde 1975 como editor-chefe do Globo Repórter. Fiquei lá até 1981, quando uma série de circunstâncias, crises no Globo Repórter e crises internas com Paulinho Soares, que era o diretor, chegou um momento em que eu não quis mais ficar no Globo Repórter.



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