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Jornal Diário da Manhã , terça-feira 4 de outubro de 1983


Os ex-encalacrados – Com uma dívida externa na casa de U$ 35 bilhões, a Venezuela tenta renegociar neste momento a sua dívida de curtíssimo prazo, que representa praticamente a metade desse total. Caracas já tinha um trunfo para medir força com os banqueiros: a existência de reservas cambiais na casa de U$ 10 bilhões, suficientes para garantir meses e meses de importações. Agora, o governo venezuelano está mais tranqüilo ainda: graças à recuperação do mercado petrolífero, o saldo de sua balança comercial (exportações menos importações) está superando as previsões e deve chegar a U$ 5,7 bilhões até dezembro, ou U$ 1,0 bilhão acima da meta original. O suficiente para pagar os juros devidos este ano (U$ 4,0 bilhões) mais outras despesas chamadas de serviços (frete, remessa de lucros, gastos com turismo etc.). Ficariam faltando, na pior nas hipóteses, U$ 150 milhões – que é quanto a dívida externa venezuelana cresceria este ano. Caracas pode continuar resistindo aos credores.

Os ex-encalacrados – também graças a recuperação do mercado petrolífero (e a violento corte nas importações), a situação do México é cada vez mais folgada: até agosto, houve um saldo de U$ 7,4 bilhões na balança comercial (contra a meta de U$ 6,0 bilhões combinada com o FMI, para o ano todo). Assim, o México deixou de preocupar aos banqueiros, que estão abrindo os seus cofres para o País: o México tinha uma dívida de curtíssimo prazo (empréstimos de seis meses a um ano) de U$ 21 bilhões, que ele vinha renegociando desde o ano passado. Há algumas semanas, os banqueiros refinanciaram U$ 11,4 bilhões. Agora, na semana passada, novo refinanciamento, para outros U$ 8,3 bilhões, em condições excepcionais: quatro anos sem pagar nenhuma prestação (carência) e mais quatro para liquidar os empréstimos, com um prazo total de oito anos.

Consolo – O desempenho da Venezuela e do México deixam o Brasil de água na boca – já que, sem o estrangulamento da dívida de curto prazo, esses países poderão reativar sua economia muito mais cedo. Um consolo para o Brasil: à medida que melhora a situação de outros países considerados encalacrados com a dívida, mais os banqueiros se tranqüilizam com a situação mundial. Daqui a alguns meses, poderão ser mais camaradas com o Brasil...



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