Jornal Diário da Manhã , domingo 9 de outubro de 1983
SALÁRIO MÍNIMO – Todos os anos, em outubro, o Ministério do Trabalho entra em conflito com o ministro Delfim Netto. Pivô da disputa: o salário mínimo, que o Trabalho sempre propõe reajustar acima da própria inflação, e a Seplan procura “segurar”. Nos últimos anos, a Seplan venceu todas as batalhas. Este ano, parece inacreditável que o presidente da República não se coloque ao lado do Ministério do Trabalho. Por quê? Segundo a própria Fundação Getúlio Vargas, o custo da alimentação subiu 203,2% nos últimos doze meses. E, segundo o Dioesp, o salário mínimo, que deveria bastar para alimentar o trabalhador, esposa e dois filhos, hoje não paga nem a “ração mínima essencial” para a sobrevivência de uma única pessoa, isto é, o próprio trabalhador. Ainda assim, a Seplan insiste em reajustar o salário mínimo com base em apenas 80% do INCP, isto é, em 51%. Com muita “bondade”, tem acenado com a possibilidade de chegar aos 90%. E só.
BONS VENTOS – em agosto, o desemprego nos EUA caiu 0,5%, significando uma redução de 500 mil trabalhadores no número de desempregados. Em setembro, último, mais 400 mil trabalhadores conseguiram emprego, atingindo-se o nível de desemprego mais baixo em dezesete meses, equivalente a 9,3% da População Economicamente Ativa. Mais gente empregada, mais consumo, mais vendas, mais vapor para a recuperação da economia dos EUA – com reflexos para o comércio internacional e as exportações brasileiras.
AJUDA EXTRA – cresce a expectativa de uma redução nas taxas de juros dentro dos EUA (inclusive porque, com a recuperação da economia norte-americana, o déficit do Tesouro será inferior às previsões graças à maior arrecadação de impostos). Com isso a “liber”, taxa de juros cobrada nos empréstimos internacionais, tem ficado em torno dos 9,5% nas últimas semanas (chegou a 18% em 1982), contra 10% anteriores (taxa média prevista pelo governo brasileiro). Para os países endividados, cada 0,5% menos de juros, sobre seus débitos de US$ 630 bilhões, representam US$ 3,2 bilhões a menos em juros, por ano. A queda nos últimos meses, de 18% para 9,5%, com um recuo de 8,5% para a “liber”, representa uma economia fantástica de US$ 53,5 bilhões por ano. Foi por isso, também que os endividados não “quebraram”.