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  O agricultor é caloteiro?

Jornal Diário Popular , sexta-feira 13 de agosto de 1999


Qual o tratamento que o governo FHC dá aos agricultores brasileiros? Basta comparar com outros países, para você chegar à sua própria conclusão:

Safra recorde – Todos os anos, o governo anuncia uma “safra recorde”. Na verdade, no ano passado a produção de arroz caiu de 13 para 9 milhões de toneladas: o feijão, de 2,8 para 2 milhões de tonelada; o trigo, que já chegou a 6 milhões de toneladas produzidas, não passou dos 3 milhões de toneladas. Em resumo, quando o governo fala de uma grande safra em 1999, está escondendo que o “aumento da produção” é uma piada, pois a comparação é feita com o ano passado, totalmente desastroso.

Na Argentina... – O governo esconde mais: há muitos anos a produção brasileira está “parada” na casa dos 80 milhões de toneladas. Enquanto isso, em cinco anos a Argentina aumentou sua produção de 40 para quase 60 milhões de toneladas. E exporta maciçamente para o Brasil... Importações – Outros países fizeram o mesmo: estamos comprando até coco da Bahia, trazido de países asiáticos, e cacau, da África. A culpa é do governo, que perdoou totalmente ou reduziu para 2%, 3% os impostos da importação. Motivo? A mesma desculpa usada para destruir a indústria nacional: “forçar o produto a produzir mais barato para beneficiar o consumidor”...

As grandes mentiras – Tudo muito bonito, mas é mentira. Os produtos agrícolas importados são vendidos a prazo, para pagamento em mais de um ano (400 dias, no caso da Argentina), e a juros de 8% ao ano. As empresas importadoras preferem comprar lá fora, vender os produtos rapidamente, e aplicar esse dinheiro às taxas de juros brasileiras, de 20%, 30%, 40% ao ano. O importador pago 8% e aplica a 40% de juros. Assim, é claro que ele prefira o produto importado. Tem mais, porém:

Ineficiente? – O governo sabe muito bem que a produção agrícola nos EUA e na Europa é muito mais cara que no Brasil. Os produtores norte-americanos e europeus não poderiam enfrentar a concorrência dos agricultores de países como o Brasil, no seu próprio mercado, ou mercados mundiais. Por que conseguem? Porque seus governos cobram impostos para impedir as importações. E subsidiam largamente a produção e a exportação, isto é: se para produzir soja nos EUA o custo é de 100, e ela só vale 60 no mercado mundial, o governo dos EUA paga a diferença de 40 e ainda dá mais alguns dólares para garantir o lucro do produtor. Assim, a seja dos EUA pode ser exportada.

Sem apoio, massacrados por importações nos últimos anos, com prejuízos brutais. E, ainda, xingados de “caloteiros”. É por isso que milhares de agricultores estarão protestando na próxima semana em Brasília.



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