Jornal Diário da Manhã , domingo 16 de outubro de 1983
A Nova Inflação – a partir de outubro, e mais acentuadamente de novembro em diante, os índices mensais da “inflação expurgada” podem ser maiores do que os índices da inflação verdadeira, conforma análise publicada na página 11 desta edição. Com isso, haverá uma redução progressiva na diferença entre a taxa anual de “inflação verdadeira”, que chegou a 174,9% até setembro último, e a “inflação expurgada”, que foi de 147,2% nos mesmos doze meses, com uma diferença, portanto, de 27,7 pontos percentuais entre ambas. A nova tendência terá efeitos positivos em várias áreas:
• Salários – o “expurgo” do INPC, que o IBGE também vem promovendo, deverá também estreitar-se com menor perda de poder aquisitivo para o povo.
• Correção monetária – seu índice anual está em 145,88%, abaixo até da inflação expurgada. A diferença deverá estreitar-se.
• Caderneta de poupança – com a menor diferença entre as “duas inflações”, os depositantes terão uma remuneração menos “achatada”. Deverá crescer, assim, o interesse dos aplicadores por esse tipo de investimento. Com o crescimento dos depósitos, parte dos investimentos poderão ser canalizados (via BNH, sem nenhum prejuízo para os depositantes) para a compra de títulos do Tesouro, que não precisará colocá-los no “open”.
• Taxa de juros – com a menor pressão do Tesouro sobre o “open”, haverá condições para a redução da taxa de juros (que, de qualquer forma, também deverão declinar, em tempos nominais, com inflação a menor).
• “Negro” do dólar – passou a ser muito procurado pelos grandes aplicadores em virtude, justamente, do achatamento da correção monetária via “expurgo” dos índices. A massa de dinheiro que gira no “black” deve ser canalizada para aplicações no mercado financeiro, contribuindo também para a redução da taxa de juros e maior disponibilidade de crédito para as empresas.
• Desvalorização do cruzeiro – por exigência do FMI, o único índice que não foi expurgado no Brasil correspondeu à correção cambial, isto é, à desvalorização do cruzeiro, que chegou a 260% nos últimos dozes meses, muito acima (por causa da “maxi”) até da inflação verdadeira, de 174,9%, em doze meses. Agora, à medida que a correção monetária acompanhe a “inflação verdadeira”, a diferença entre ambas tenderá a estreitar-se.