Jornal Diário da Manhã , domingo 23 de outubro de 1983
LÁ FORA – já que as perspectivas aqui dentro são pouco animadoras, com o novo achatamento salarial e suas conseqüências, procure-se ânimo no exterior. A economia norte-americana voltou a crescer aceleradamente no terceiro trimestre do ano, atingindo a taxa anual de 7,9%. Melhora de comércio internacional, mais exportações etc.
AINDA LÁ FORA – o governo japonês resolveu acelerar a recuperação da economia do País. Dois caminhos escolhidos: redução do Imposto de Renda, para deixar mais dinheiro nas mãos do consumidor, ampliando seu poder de compra e subseqüentemente a compra de produtos industriais. Aumento nos gastos estatais, com execução de obras públicas, e conseqüente ampliação de encomendas à indústria de equipamento e empreiteiras.
O BLACK – durante dois meses, o dólar esteve parado na faixa dos Cr$ 1.200,00 no mercado “negro”. Com a derrota do 2.045, e dificuldades para aprovação do novo decreto 2.064, as negociações do Brasil com o FMI e os banqueiros internacionais voltaram a um “ponto morto”. Resultado: os dólares que deveriam ser liberados para o País continuarão nos cofres dos banqueiros. O mercado negro deve reagir, com elevações na cotação do dólar. Hora de comprar, outra vez.
MELHORA PAULISTA – estimado em Cr$ 200 bilhões até recentemente, o déficit de São Paulo (sobre um orçamento de Cr$ 2,5 trilhões) vai reduzir-se a Cr$ 100 bilhões. Motivo: o governo reduziu o prazo de recolhimento do ICM, para as grandes empresas. Com isso, arrecadou Cr$ 80 bilhões a mais, somente em setembro: Cr$ 237 bilhões, contra Cr$ 157 bilhões anteriormente esperados. A redução do déficit dos Estados contribui para reduzir o déficit do setor público, exigência do FMI.
MENOS MAL – em 1983, secas e chuvas de pedra provocaram grandes perdas na safra nacional de trigo. Este ano a colheita já foi quase encerrada no Paraná, São Paulo e Minas Gerais, com excelentes resultados: a produtividade dobrou, chegando a 1.200 kg por hectare, nível que superar o recorde anterior, de 1.100 kg por hectare, em 74. Mais lucros para o produtor, o que é importante para toda a economia, a esta altura: com o achatamento dos salários urbanos, o aumento da renda dos agricultores é uma arma para reduzir a recessão, já que eles poderão consumir mais produtos industriais.