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  Petróleo, geadas, inflação

Jornal Diário Popular , segunda-feira 17 de julho de 2000


Alguém está sendo beneficiado com a inesperada onda de frio, trazendo geadas e até neve no Sul do País? Sim. Para dois setores, que estavam no fundo do poço, a massa de ar polar está sendo um alívio temporário — mas sempre um alívio.

O setor têxtil e de roupas vinha tão mal este ano, que acusava queda de nada menos de 25% nas vendas em comparação com 1999, que já tinha sido ruim. E o ‘‘encalhe’’ de roupas e artigos de inverno já estava forçando o comércio, mal começado o mês de julho, a antecipar as liquidações tradicionalmente realizadas na segunda quinzena de agosto. Com o frio intenso, houve uma reviravolta, mantida também pela indústria de eletrodomésticos por uma inesperada corrida a compra de aquecedores, vaporizadores e similares.

A recuperação temporária desses setores pode melhorar algumas estatísticas de produção e vendas — mas a economia como um todo vai sofrer conseqüências negativas das diabruras do clima. Elas vão trazer taxas de inflação mais alta, nova perda de poder aquisitivo para as famílias de consumidores e, portanto, mais retração econômica. Com as geadas, houve destruição de lavouras e pomares, além de pastagens, com alta imediata de preços para verduras, legumes e frutas. A redução da chamada ‘‘safrinha’’ de milho, em especial, vai levar ao encarecimento das rações utilizadas na criação de frangos ou bovinos — com o agravante, no caso da pecuária, de que o frio veio apenas piorar a situação das pastagens, já atingidas pela seca no Sul (e que explica a acentuada alta nos preços do leite, a R$ 1,45 o tipo longa vida, resultante da necessidade de utilizar ração na alimentação do gado leiteiro).

Outro produto com forte pressão sobre os preços é o café, que vinha atravessando uma fase de superprodução e violenta queda no mercado mundial. Em resumo, o balanço final da onda de frio é negativo para o consumidor, que vai ser forçado a gastar mais com alimentação, sobrando menos dinheiro para outros tipos de consumo — o que afeta toda a economia. E os efeitos das geadas surgem, ainda, no mesmo mês em que os orçamentos familiares já estavam perdendo um ‘‘naco’’, por causa dos aumentos das tarifas de energia e telefone — e por dois aumentos, totalizando de 25% a 30%, para a gasolina e demais combustíveis (atenção: agora, o álcool também deverá ter seus preços majorados, devido à destruição de lavouras de cana de açúcar). Agrava-se, assim, o principal fator negativo, que tem impedido a recuperação da economia, a saber, a perda de poder aquisitivo da população. Da mesma forma que haverá taxas de inflação mais altas nestes próximos meses.

Em outros países, o governo cogitaria medidas de emergência para modificar esse quadro. Desgraçadamente para o povo brasileiro, já se sabe o que o governo FHC fará: absolutamente nada, a não ser novos discursos otimistas, prometendo a prosperidade para o Dia de São Nunca.



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