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Jornal Diário da Manhã , terça-feira 13 de dezembro de 1983


MUDOU MESMO? – dizia-se que os governos anteriores às eleições de novembro de 1983 eram distanciados das necessidades do povo, e que isso iria mudar com a eleição de candidatos da oposição. Agora, em São Paulo, produtores de verduras e legumes estão destruindo suas plantações, porque os preços da cenoura, alface, repolho, couve não compensam nem mesmo o custo do transporte (sem falar em todos os custos de cultivo e embalagem). Enquanto isso, a população carente passa fome, e fome absoluta. Governos preocupados com o povo não teriam pensado, já, em comprar esses alimentos, mesmo a preços de custo, para distribuir “sopões” às populações miseráveis? O prejuízo do produtor não seria total, e a fome não teria as conseqüências trágicas atuais, que vão desde a desnutrição irreversível para milhões de crianças até a violência provocada pela miséria.

A EXCEÇÃO – em tempo: o prefeito de Campinas, no interior paulista começou a distribuição de “sopões” a famílias previamente cadastradas, isto é, de miséria comprovada. Anteriormente, esse mesmo prefeito já decidira perdoar as duas últimas prestações do Imposto Territorial e Urbano aos proprietários de terrenos desocupados e que cultivem ou emprestem as áreas para o cultivo de hortas. O que impede que esses exemplos sejam seguidos em todo o Brasil?

POBRE FERROVIA – com seu traçado praticamente concluído (95% dos túneis, pontes, viadutos; 90% do assentamento de trilhos etc.), a Ferrovia do Aço deveria contar com Cr$ 130 bilhões em 1984, para a instalação de sistemas de controle, que permitiriam sua operação já em 1986. Suas verbas foram cortadas para apenas Cr$ 30 bilhões – e ela somente poderá ser utilizada em 1988. Um exemplo típico das “burrices” que marcam a política econômica brasileira (no caso, uma “burrice” alimentada pelas críticas às “obras faraônicas”). A Ferrovia do Aço permitirá o transporte de milhões de toneladas de carga hoje deslocada em caminhões, queimando centenas de milhões de dólares. E a cifra necessária – Cr$ 130 bilhões – equivale a pouco mais de US$ 130 milhões, uma insignificante diante, por exemplo, dos US$ 19 bilhões (com “b”) gastos em Itaipu – que não tem a quem vender sua energia elétrica. Além de reduzir os gastos com dólares, ajudando a conter o ritmo de crescimento da dívida externa, a entrada em operação da Ferrovia do Aço significaria, também, o início do retorno dos investimentos feitos em sua construção até hoje. Contribuiria para reduzir o déficit do setor público. A quem interessa sabotar a Ferrovia do Aço?



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