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  O que eles dizem. E a realidade

Ano Novo. Mentiralhada velha _mantendo a economia rumo ao caos:

* Crise do Real - “O Brasil já reconquistou a confiança internacional, porque adotou o pacote, ou, como se diz, está fazendo a lição de casa” – afirmação da equipe econômica, de-formadores de opinião, renomados consultores de bancos internacionais (os mesmos que, no ano passado, diziam maravilhas da política econômica de Malan, Franco & Cia...).

* A realidade - As empresas brasileiras e o próprio governo não estão conseguindo renovar os empréstimos baseados em títulos (bônus) no exterior, com prazo de um ano ou mais para pagar. Tem havido apenas “empréstimos-ponte”, de curtíssimo prazo, para rolar as dívidas anteriores. Equilíbrio precário, que pode ser rompido da noite para o dia. Mesmo.

* Juros - “O governo já começou a reduzir os juros, que subiram 100% em novembro para defender o Real. Isso significa que em breve a economia poderá voltar a crescer, mesmo que em ritmo modesto, reduzindo-se o desemprego” – afirmação de líderes empresariais e políticos, bem como da indefectível equipe econômica e de-formadores de opinião.

* A realidade - No leilão para venda de títulos do Tesouro (dívida interna) da última terça-feira, o governo foi forçado a pagar escorchantes 37,7% ao ano aos compradores (bancos, grandes aplicadores). E, no mercado futuro, as taxas de juros previstas para fevereiro e março voltaram a subir, para a faixa de 2,8% ao mês. O mercado, ao exigir juros mais altos, revela desconfiança no futuro, apesar do “pacote” de ajuste.

* Rombo - “O pacote vai reduzir o déficit do setor público, salvando o Real” – afirmam os mesmos otimistas.

* A realidade - As taxas de juros brutais, que não mostram tendência de queda, estão fazendo a dívida do Tesouro (e dos Estados) explodir, isto é, criando um “rombo” cada vez mais insustentável. E, como não haverá recuperação da economia, a arrecadação de impostos também cairá.

Moral da história: a situação do Real continua em deterioração. A economia brasileira não saiu da armadilha. O círculo vicioso persiste: juros altos, rombo, desconfiança, juros mais altos, rombo. De uma hora para a outra, o “mercado” dirá “não” a esse quadro. Aí...

Safras

Do ministro da Agricultura: “O fenômeno El Niño vai até aumentar a produção agrícola brasileira”.

* A realidade - Os preços dos alimentos estão em alta acentuada desde dezembro. O custo da cesta básica em São Paulo vem batendo recordes sucessivos, aproximando-se de R$ 120,00 (ah, sim: essa alta não mereceu nenhum destaque no noticiário, até agora).

Caixa Econômica

No ano passado, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil foram transformados em imensa “lixeira” pela equipe FHC, que usou as duas instituições para comprar “negócios podres” dos grandes bancos privados (e mesmo de empresas), aberração que esta coluna denunciou insistentemente na época. O presidente da Caixa, Sérgio Cutolo, chegou a afirmar, inacreditavelmente, que estava comprando “ativos líquidos e rentáveis”, como as carteiras de crédito imobiliário (empréstimos para as compras de imóveis). No balancete de outubro, a CEF acusa um prejuízo de R$ 100 milhões com créditos que ela “absorveu” do Banco Econômico. E esse é apenas um caso. E os milhões de mutuários inadimplentes que deviam aos bancos que a Caixa Econômica absorveu a mando da equipe FHC? Essas operações não são um crime de lesa-patrimônio público? Não mereceriam uma CPI? Ou a abertura de processo pelo Ministério Público?

Reforma agrária

“O governo vai fazer a reforma agrária por intermédio da cobrança do Imposto Territorial Rural, que taxará a propriedade improdutiva – e, ainda, proporcionará R$ 1,3 bilhão, em dois anos, para desapropriações etc.” Afirmação do presidente da República, seus ministros – e de milionária campanha publicitária que ainda está na TV. Agora, já se sabe: o ITR vai arrecadar apenas R$ 300 milhões (e olhe lá) este ano.


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