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  Brasil segue a Argentina...

Jornal Diário Popular , quarta-feira 31 de maio de 2000


A Argentina está reduzindo a aposentadoria paga aos trabalhadores e reduzindo os salários de seus funcionários públicos. Objetivo? Tentativa de reduzir o rombo do Tesouro, equilibrar as finanças do governo, para atender às exigências do FMI. Engraçado e trágico: há anos, muito antes mesmo do Brasil, a Argentina começou a vender suas empresas estatais. Vendeu a grupos privados (espanhóis, principalmente) até a sua Petrobras, a YPF. Objetivo? Exatamente como o governo Fernando Henrique Cardoso diz no Brasil, era preciso privatizar e usar o dinheiro arrecadado para reduzir a dívida do governo, reduzir o ‘‘rombo’’ do Tesouro.

A Argentina já vendeu tudo. Telefônicas, empresas de energia, portos, ferrovias — e até sua Petrobras e seus bancos estatais, equivalentes ao Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Vendeu tudo. Ficou sem os lucros que as empresas estatais também pode dar, quando o governo não ‘‘achata’’ seus preços, para segurar a inflação, como aconteceu com a energia ou os serviços telefônicos no Brasil (não esquecer: a Telebras, no Brasil, teve um lucro de 4 bilhões de reais em 1997, pouco antes de sua privatização, em julho de 1998). A Argentina privatizou tudo. O ‘‘rombo’’ não desapareceu. Ao contrário. O governo está de calças na mão. Não tem mais nada a vender, não tem mais fontes de renda representados pelos lucros das estatais. Não tem mais autonomia. De calças na mão, sob o chicote do FMI, reduz aposentadorias e vencimentos de funcionários. Vale dizer: corta o poder aquisitivo de toda uma faixa da população. Menos consumo, menos produção, mais recessão, mais desemprego.

A Argentina de hoje é o Brasil de amanhã. O governo FHC já entregou a maior parte das empresas estatais brasileiras a grupos espanhóis, portugueses, franceses, italianos e norte-americanos. Já começou a desmantelar a Petrobras, entregando a grupos estrangeiros riquíssimas áreas em que a empresa descobriu petróleo. Tudo a preço de banana. Vai realizar novos leilões, para entregar outras áreas petrolíferas, agora em junho. Tudo a preço de banana.

Como na Argentina, a desculpa usada pelo governo FHC para entregar o Brasil a grupos multinacionais tem sido: é preciso privatizar, para combater o ‘‘rombo’’ e reduzir a dívida do governo. Isso não está acontecendo. Veja o que foi anunciado anteontem pelo secretário do Tesouro Nacional brasileiro, Fábio Barbosa: ‘‘A dívida líquida do Tesouro Nacional, em abril subiu 13,1 bilhões de reais’’. Em um mês. Causa? ‘‘Crescimento da dívida externa’’ e ‘‘incorporação de juros no total de 6,2 bilhões de reais na dívida interna’’. Atenção a esse segundo item: o governo vem cortando verbas para saúde, educação, segurança, reforma agrária, Nordeste, rodovias, tudo, tudo, tudo. Com isso, ‘‘economizou’’ 4 bilhões de reais, isto é, as despesas ficaram 4 bilhões de reais abaixo das receitas. O governo usou esses 4 bilhões de reais para pagar juros. E ainda precisou vender ‘‘papagaios’’ para pagar mais 6,2 bilhões de reais em juros, aumentando a dívida. Isto é, o total de juros no mês foi de 10,2 bilhões de reais. Em um mês. Rombo sem fim. Igual à Argentina.



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