[O Brasil de Aloysio Biondi Obra Vida Projeto
data
veiculo
tema
Palavra-chave
Voltar

  Todos os “palpiteiros” do presidente

Depois de “bocós”, os economistas e analistas que fizeram alertas ou sugestões sobre a política econômica foram chamados de “palpiteiros”, sem-qualificação, pelo presidente FHC. Pena. Se pensar bem, ele vai verificar que os verdadeiros “palpiteiros” estão a seu redor, formam a sua equipe, infalível em cometer erros em suas previsões e diagnósticos não apenas de médio e longo prazo, mas também de curtíssimo prazo. Com seus palpites, encaminham o país para o caos, ajudados por incrível manipulação de números e cifras. Seguem-se exemplos recentes.

Balança comercial

Em artigo nesta Folha, o “subministro” para o setor, José Roberto Mendonça de Barros, diz que as exportações cresceram 11,7% nos 12 meses terminados em maio, na comparação com o período anterior. Faltou dizer que o ritmo está em forte queda, com menos de 8% no próprio mês de maio e em torno de 5% em junho. Mendonça de Barros diz que as exportações da soja e café estão “atrasadas”, sugerindo que crescerão no segundo semestre. Faltou dizer que as cotações de soja e café estão em queda livre, trarão menos dólares para o país, por causa da superprodução mundial. O mesmo recuo atinge o açúcar e o cacau.

Reservas

Diretora do Banco Central, no começo de junho, diz que as reservas em dólares vão parar de cair já “neste mês”. Elas caíram no mínimo US$ 2 bilhões, depois do US$ 1,8 bilhão de maio.

Vendas, produção

Manchete de jornais no dia 8 de junho: “Copa eleva vendas de TVs em até 28% em maio”.

A verdade, noticiada escondidinho, escondidinho há duas sextas-feiras: mesmo com o Dia das Mães e a Copa, as vendas de televisores cresceram só 8% sobre abril. E, atenção: caíram nada menos que 20% sobre maio do ano passado. Com a Copa e tudo.

Juros

Rola por aí um trololó aparentemente técnico dizendo que os bancos não podem reduzir as taxas de juros por causa da inadimplência, isto é, precisam cobrar mais de quem paga, para compensar as perdas com quem não paga. Ora, segundo a empresa de consultoria Austin Asis, os lucros dos bancos no primeiro trimestre deram novo salto, de 10% para 14% sobre o patrimônio. Com recessão e tudo, os lucros dos bancos crescem...

Feijão

O ministro da Agricultura (da Agricultura?), Francisco Turra, diz que a falta de feijão e o aumento de 250% nos preços são ótimos, porque essa alta “vai estimular o lavrador a plantar mais”. Pois é... No auge da crise, em abril/maio, previu "normalização" com a colheita do feijão irrigado em julho, no inverno. Em São Paulo, esse plantio de inverno recuou nada menos que 32% para as lavouras irrigadas, e 24%, para a convencional.

Emprego

O ministro do Trabalho (do Trabalho?), Edward Amadeo, explica o aumento do desemprego na região das capitais: seca, migração. Mas as estatísticas do próprio IBGE relativas a abril mostram: 80% dos desempregados vêm da indústria, comércio e serviços. Não são “retirantes”.

Manipulação

Não passou no Congresso a redução da aposentadoria dos funcionários públicos. Diz-se que a decisão vai agravar o déficit do Tesouro, pois, a medida, se aprovada, possibilitaria a economia de R$ 3,5 bilhões para os cofre públicos (Previdência). Falso. Aquela economia seria obtida em dez anos. Isto é, na média, R$ 350 milhões por ano. O Congresso não pode, portanto, ser acusado pela explosão do déficit deste ano. Aliás, está na moda “projetar” resultados e metas para dez anos, para melhor manipular a informação pública. Diz-se por exemplo, em manchetes, que a privatização das teles “vai criar cem mil empregos”. Ah, sim, em dez anos. Só 10 mil por ano, portanto. Altamente confortador para os milhões de desempregados do país. Hoje.

Genocídio

Avança o câncer do colo do útero, sobretudo no Nordeste. E a equipe FHC liberou somente 8% dos R$ 80 milhões, ou R$ 6,4 milhões, para o programa preventivo da doença, em 1997. Dengue, sarampo, tuberculose, hanseníase, câncer. Daqui a pouco, a meningite?


Acompanhar a vida do site RSS 2.0 | Mapa do site | Administração | SPIP Esta obra está licenciada sob uma Licença CreativCommons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil