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  Defensores da recessão mundial voltam à cena

Jornal Folha de S.Paulo , domingo 6 de fevereiro de 1983


Pode parecer incrível, diante do quadro dramático apresentado pela economia mundial, com recordes de desemprego, ainda em janeiro, na Inglaterra, Alemanha e Bélgica, ou as dificuldades vividas pelos países endividados como o Brasil. Mas, o fato é que, na última semana, o debate que ganhou força nos EUA centrou-se em torno da política monetária do banco central norte-americano. Seu presidente, Paul Volcker, está sendo acusado pelos monetaristas de estar afrouxando demais o controle sobre o crédito, na tentativa de permitir a recuperação da economia norte-americana. Em poucas palavras, os monetaristas querem a volta da rigidez nesta área – a mesma rigidez que provocou a atual recessão – sob a alegação de que a frouxidão provocará o retorno da inflação. Mal a recuperação da economia dos EUA começou, em resumo, eles já pedem novo pisão nos freios, para segurá-la.

É essa a nova ameaça que pesa, no momento, sobre a economia mundial. Se os pregadores monetaristas voltarem a ser ouvidos, haverá nova marcha à ré, e os sinais de recuperação, já perceptíveis a esta altura, voltarão a desaparecer.

Novos Indicadores
Os dados liberados pelo governo norte-americano mostram que, em janeiro, pela primeira vez em dezoito meses, o índice de desemprego declinou nos EUA (e não é verdade que a queda se deveu a um “macete”. O governo, na verdade, passou a elaborar mais um índice sobre o desemprego, incluindo, nesse novo indicador, também o pessoal da área militar. Mas a queda ocorreu no indicador “velho”). O resultado na área de emprego é conseqüência direta de outros fatores anteriores, ocorridos no final de 1982: as encomendas às indústrias cresceram 4,8% em dezembro, houve avanços nas vendas de moradia, a indústria automobilística aumentou suas vendas. Forçosamente, todos esses resultados teriam que detonar efeitos multiplicadores dentro da economia, com as indústrias beneficiadas pelo crescimento da demanda colocando encomendas junto aos seus fornecedores de peças, componentes, matérias-primas.

A intensificação do ritmo de recuperação da economia dos EUA, daqui para frente (com reflexos sobre a economia mundial) seria alimentada por uma série de fatores interligados. Com as altas taxas de juros cobradas ano passado, as empresas reduziram seus estoques ao mínimo, necessitando realizar “compras novas“ para atender a qualquer aumento de produção.

O consumidor norte-americano, por sua vez, assustado com as taxas de juros e a própria recessão, permaneceu arredio durante todo o ano: a renda pessoal aumentou nos EUA em 1982, mas os gastos em consumo aumentaram muito mais lentamente, com uma parcela crescente dos ganhos sendo transformada em poupança. Agora, à medida em que os sinais de melhores momentos vão ficando mais claros, o consumidor deve sentir-se estimulado a comprar, inclusive porque a inflação norte-americana caiu a apenas 3,9% em 1982. Qual o efeito desta queda sobre o consumidor? A partir de agora, com a própria recuperação, a tendência é as empresas reajustarem preços - e o consumidor deve procurar antecipar suas compras (da mesma forma que, em 82, não tinha pressa em comprar pois os preços não subiam, ou estavam mesmo em queda).



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