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  Há ineficiência e inércia

Jornal Folha de S.Paulo , domingo 17 de abril de 1983


Candidamente, como sempre, um assessor do Ministério do Planejamento diria à imprensa, na última semana, que a inflação disparou no primeiro trimestre deste ano porque o governo estava muito absorvido com os problemas da dívida externa, e se “descuidou” da luta antiinflacionária. A argumentação é risível: a Nação continua a pagar polpudos salários a exércitos de diretores e assessores, destes e daqueles órgãos do governo, incumbidos especificamente de cuidar do combate à inflação. E do abastecimento.

O que ocorreu com os preços de verduras e legumes, que “puxaram” violentamente as taxas de inflação neste começo de ano, é apenas mais um exemplo da inércia, descaso e incompetência de Brasília em relação aos problemas do País. No final de 1979, quando houve problemas de clima e os preços dos chamados hortifrutigranjeiros começaram a disparar, houve uma ofensiva governamental para reduzir a especulação e o poder dos intermediários, que ganham à custa do produtor e do consumidor.

A Cobal ganhou imenso dinamismo na época, ajudou feirantes e produtores, para conter os preços no que fosse possível conter. Lançou-se, inclusive, o programa de cultivo de hortifrutigranjeiros nas “regiões serranas”, onde mesmo no verão não ocorrem altas chuvas nem pesadas chuvas – para compensar eventuais quebras de produção nas regiões tradicionais.

Agora, em 1983, não se ouviu falar uma palavra, uma só, de preocupação, ou de medidas contra a especulação. Ao contrário: os pronunciamentos dos técnicos bem nutridos de Brasília reforçaram o clima de especulação, favoreceram a especulação, pois eles próprios justificaram as altas atribuindo-as às chuvas. Não investigaram o que estava ocorrendo, não pediram dados ao Ceasa, não puseram ordem na casa; ficou tudo, como sempre, na base do palavreado tolo, desligado da realidade.

O consumidor foi claramente atingido, em seu bolso, pela alta dos hortifrutigranjeiros. E a economia do País sofreu prejuízos irreparáveis e esta se refletiu nos índices de inflação e nos índices de correção monetária, que dizer, em mais inflação para o futuro. O preço da inércia.



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