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  AL: as contradições do crescimento

Jornal Correio da Manhã ,


1- O Produto Interno Bruto cresceu 6,9 por cento. Os investimentos totais subiram 8,5 por cento e o consumo 7,2 por cento. Alguns setores como o de construção e o industrial tiveram um desempenho ótimo. Até aqui tudo bem. Mas as exportações caíram em relação a 1969. Todos os países fecharam o ano com déficit em seu balanço de pagamentos. A inflação subiu sempre e os salários ficaram na mesma.

Em seu Estudo Econômico de 1970, a Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL) faz um extenso balanço da atividade econômica no continente. O saldo é positivo. Em comparação com o ano passado, quando o crescimento do PIBV foi de 6,5 por cento, a CEPAL conclui que “continuou a evolução favorável que se havia registrado no ano anterior”. Nos últimos três anos, 1968, 1969 e 1970 a taxa média de crescimento da economia foi de 6 por cento.

Construção e indústria: ponto alto
Os investimentos totais aumentaram bastante. O coeficiente de participação dos investimentos no PIB passou de 18,4 para 19,5 por cento. Bom sinal. A América Latina desprende-se da excessiva dependência dos países industrializados para financiar seu próprio desenvolvimento.

A construção, os serviços básicos e a indústria foram os setores que mais contribuíram para a expansão econômica de 1970. A taxa de crescimento da indústria (8 por cento) foi ligeiramente superior à de 1969. Alguns países grandes, como Brasil e México, e outros dois considerados médios, Colômbia e Peru, puxaram a subida da taxa. Mesmo assim foram registradas taxas expressivas na Bolívia, Costa Rica, Nicarágua, Panamá e República Dominicana.

O setor da construção teve a taxa de crescimento mais alta (10,6 por cento). Argentina, Brasil e México sustentaram basicamente este crescimento.

Agropecuária, desempenho discreto
Os serviços básicos tiveram uma satisfatória evolução (9,3 por cento), o que pode ser explicado pelo comportamento do setor no Brasil e no México e pelo fato de que esta atividade cresceu em todos os países latino-americanos a uma taxa superior a 2,5 por cento ao ano.

O setor agropecuário teve um crescimento apenas discreto (4,9 por cento), mas mesmo assim bastante superior ao verificado no ano anterior. Sobressaem os aumentos iguais ou superiores a 5 por cento observados no Brasil, Costa Rica Chile, Bolívia, El Salvador, Peru, República Dominicana e Venezuela.

De uma maneira geral, 70 foi um bom ano para a agricultura, porque apenas em um país a produção caiu e somente em Honduras e Nicarágua diminuiu a oferta interna de produtos alimentícios por habitante. Honduras foi afetada pela crise que explodiu em 1969 depois de uma briga num jogo de futebol com a seleção de El Salvador e ainda não se recuperou inteiramente.

O crescimento do setor de extração mineral foi de 4,6 por cento, também superior ao de 1969. Devem ser destacadas as altas observadas no Argentina, na Bolívia e no México. Na Bolívia, apesar de dois golpes de Estado e da deflagração de um processo de nacionalizações, subiu a produção de estanho.

2- O valor das exportações subiu em 1970. Por três motivos distintos: diminuiu o dinamismo dos países industrializados com o recesso nos Estados Unidos e na Inglaterra (assim mesmo as exportações dos dois países aumentaram consideravelmente) abrindo novas perspectivas para os países subdesenvolvidos. A inflação americana proporcionou um aumento nos preços unitários de muitas mercadorias; e, finalmente, a alta das cotações no mercado internacional contribuiu em 25 por cento para o aumento das receitas de exportação.

No ano passado as exportações dos países industrializados aumentaram 16 por cento. Manteve-se assim pequena a participação dos subdesenvolvidos no comércio mundial (13 por cento).

Exportações caem, importações sobem
As exportações de bens e serviços da América Latina (com exceção de Cuba) cresceram 9,3 por cento no ano passado. Ou seja, crescimento menor do que o observado em 1969 (11 por cento).

Por estranho que possa parecer apesar da taxa menor, todos os países latino-americanos aumentaram o valor de suas exportações. As variações de preços dos produtos exportados pela América Latina foram responsáveis por um terço dos aumentos verificados nas receitas das vendas de mercadorias para o exterior. Em 1969 esta proporção não chegou a um terço.

As importações pelo terceiro ano consecutivo subiram. E subiram demais. A ponto de gerar um déficit de 213 milhões de dólares na balança comercial da região. Esta situação merece uma atenção especial. Em 1969 o saldo foi positivo e mesmo no ano passado apenas três países, Chile, Peru e Venezuela, tiveram um superávit substancial.

O desequilíbrio na balança comercial agravou o déficit na conta corrente dos países latino-americanos. No ano passado este déficit chegou a 2 bilhões e 795 milhões de dólares e o México, sozinho contribuiu com 40 por cento. Outros países com déficit substancial: Brasil, Colômbia e Venezuela.

A entrada bruta de capital chegou a 3 bilhões e 935 milhões de dólares, o que permitiu um superávit no balanço de pagamentos de um bilhão e 140 milhões de dólares. Brasil, México e Venezuela absorveram dois terços do total de capital estrangeiro que entrou na região.

Os preços, sempre subindo
As altas de preços foram moderadas em quase todos os países da América Latina. Em 1969 os preços aumentaram em 11 países menos do que em 1968. No ano passado cinco destes países voltaram a ter altas consideráveis. A Argentina é um deles. Ela voltou a ter uma taxa de inflação de 21,7 por cento.

Em outros países onde a taxa de inflação foi menor em 1969, a tendência de baixa foi mantida. É o caso do Brasil e do Uruguai. No Haiti e no Paraguai o índice de preços diminuiu em valores absolutos.

No Chile registrou-se um novo aumento de preços. O mesmo ocorreu em outros quatro países onde os preços sofreram variações, mas de menor importância. Em 1969, em 14 países os preços aumentaram a uma taxa anual de 3 por cento. No ano passado apenas oito países conseguiram manter esta taxa. Outros seis países tiveram uma taxa de inflação que oscilou entre 3 e 5 por cento.



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